Vendas de PCs crescem com crise de memórias e fim do Windows 10
O mercado global de computadores vivenciou uma reviravolta surpreendente no final de 2025. De acordo com dados recém-divulgados pela IDC, as vendas de PCs registraram um crescimento de 9,6% no quarto trimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2024. Essa alta expressiva, impulsionada pela crise global de memórias e pelo encerramento do suporte ao Windows 10, reacendeu o movimento de atualização de máquinas entre empresas e consumidores finais.
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Mercado de PCs teve alta inesperada no fim de 2025
Conforme o relatório trimestral da IDC, mais de 76,4 milhões de unidades entre desktops, notebooks e workstations foram comercializadas no último trimestre de 2025. O aumento na procura surpreendeu o setor, que havia enfrentado retrações elevadas entre 2022 e 2024, em meio à saturação do mercado e transição pós-pandemia.
A fabricante Lenovo continuou liderando o segmento mundial, detendo 24,9% da participação de mercado. O desempenho da marca chinesa se destacou não apenas pelo volume, mas também pelo ritmo acelerado de crescimento: 14,5% a mais nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior. Logo atrás vieram a HP (20,2%), Dell (14,4%), Apple (9%) e Asus (7,2%).

Crise de memórias: o principal responsável pela alta
O relatório da IDC aponta a crise global de chips de memória como o gatilho principal dessa retomada de compras. A alta demanda por componentes utilizados em aplicações de inteligência artificial (IA) gerou escassez de oferta, o que deve resultar em preços mais elevados ao longo de 2026. Muitos consumidores e revendedores anteciparam suas compras para evitar custos futuros, gerando o crescimento abrupto nas vendas no final do ano.
Segundo especialistas do setor, a pressão sobre o fornecimento de DRAM e SSDs — componentes essenciais para notebooks e desktops — deve continuar até meados de 2027. Isso fará com que fabricantes ajustem seus portfólios e priorizem modelos intermediários e premium, capazes de compensar margens em queda.
Fim do Windows 10 influencia corrida por atualização
Outro fator determinante foi o encerramento do suporte oficial ao Windows 10 pela Microsoft, previsto para outubro de 2025. A medida forçou empresas e usuários domésticos a migrarem para equipamentos mais recentes compatíveis com o Windows 11. Esse movimento impulsionou fabricantes e lojas de varejo, que viram uma explosão nas vendas de notebooks corporativos e PCs domésticos com hardware atualizado.
A combinação entre a transição de sistema operacional, o temor de reajustes de preço e a tradicional alta de compras no período de Black Friday e Natal criaram o cenário perfeito para a recuperação do setor. O resultado: um fortalecimento no curto prazo que, apesar de positivo, pode ser temporário diante das perspectivas de encarecimento de componentes.
Impactos regionais e perspectivas para 2026
Embora o crescimento global tenha sido de 9,6%, algumas regiões apresentaram desempenho superior. América do Norte e Ásia lideraram com elevações superiores a 12%, reflexo da alta demanda corporativa e da renovação de parques tecnológicos em grandes empresas. Já a América Latina, influenciada por fatores cambiais e tributários, apresentou alta mais modesta, próximo a 5%.
Para 2026, a IDC prevê um período de ajuste, com possíveis reduções de 3% a 4% nas vendas, enquanto o setor se reconfigura. O foco das fabricantes será equilíbrio entre margens e inovação, com destaque para notebooks ultrafinos, híbridos e soluções voltadas à produtividade em nuvem.
Segmentos mais afetados pela alta dos componentes
Pequenas marcas e entusiastas que montam seus próprios computadores serão especialmente impactados pelo aumento nos custos de componentes. Peças como fontes de alimentação e sistemas de refrigeração também devem passar por reajustes significativos, encarecendo até 30% os PCs montados no Brasil
Por outro lado, grandes conglomerados como Lenovo, Dell e HP têm vantagem competitiva por firmarem contratos diretos com fornecedores de componentes e memórias. Isso reduz os impactos imediatos da oscilação de preços e assegura oferta contínua, ainda que com margens pressionadas.
O papel da inteligência artificial e da automação
O crescimento da IA generativa, treinamentos de modelos linguísticos avançados e adoção de tecnologias locais de machine learning aumentaram significativamente a competição por chips de alto desempenho. Fabricantes de memória como Samsung, SK Hynix e Micron têm redirecionado produção para servidores e centros de dados, criando gargalos no fornecimento para o mercado tradicional de PCs.
Essas transformações devem acelerar a consolidação da indústria, priorizando fabricantes que investem em diversificação e automação industrial. O uso de chips nacionais e alternativas de fabricação sustentável também são tendências emergentes que podem reduzir a dependência de cadeias globais.
Perguntas frequentes sobre o mercado de PCs em 2025
Por que as vendas de PCs cresceram no fim de 2025?
A combinação entre a crise global de memórias, o fim do suporte ao Windows 10 e o aumento da demanda corporativa impulsionaram a busca por novos equipamentos. Os consumidores anteciparam compras diante do risco de preços mais altos em 2026.
Quais empresas lideram o mercado global de PCs?
A Lenovo manteve a liderança com 24,9% do mercado, seguida por HP, Dell, Apple e Asus. Todas registraram aumento de vendas em relação a 2024, segundo dados da IDC.
O aumento das vendas deve se manter em 2026?
Analistas acreditam que haverá desaceleração em 2026, com possível retração de 3% nas vendas, devido à alta dos componentes e estabilização da demanda pós-renovação do Windows 10.
Como a crise de memórias afeta o consumidor?
O aumento de demanda da indústria de IA reduziu a oferta de memórias e SSDs, elevando os custos de produção. Isso se reflete diretamente nos preços finais de notebooks e desktops, especialmente em modelos de entrada.
Conclusão sobre crescimento do Vendas de PCs
O final de 2025 marcou um ponto de inflexão no mercado de computadores pessoais. A combinação de fatores tecnológicos, econômicos e estratégicos impulsionou uma recuperação sem precedentes após anos de estagnação. Contudo, os próximos meses exigirão equilíbrio: fabricantes precisarão lidar com a escassez de componentes enquanto consumidores ponderam entre custo e desempenho. O cenário aponta para um 2026 de transição, com foco em inovação e maior integração entre hardware, IA e sustentabilidade.

