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GOG independente mira publicação de jogos e suporte a Linux

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Após se desligar da CD Projekt, a GOG — conhecida por sua loja digital focada em jogos clássicos e sem DRM — vive um novo momento. Sob o comando de Michal Kicinski, cofundador da CD Projekt, a empresa está reconsiderando sua estratégia de mercado e revelando planos que incluem publicar games de forma independente e investir mais fortemente no suporte a Linux. Essa mudança coloca a GOG em uma trajetória ousada, buscando revitalizar propriedades intelectuais esquecidas e conquistar um público cada vez mais interessado em liberdade de uso e plataformas abertas.

A independência da GOG e o novo foco editorial

Em entrevista recente ao Eurogamer, Kicinski explicou que a aquisição da GOG foi motivada pelo desejo de devolver à empresa a liberdade de inovar e correr riscos. Enquanto parte do grupo CD Projekt, a GOG tinha pouca margem para publicar ou desenvolver jogos, já que o foco da empresa-mãe estava em franquias próprias como The Witcher e Cyberpunk 2077. “A limitação vinha exatamente daí”, afirmou Kicinski. “Com a independência, podemos experimentar mais, inclusive publicando nossos próprios títulos.”

Logo da GOG após independência da GOG
A GOG busca adquirir e revitalizar IPs clássicas do PC

O empresário revelou ainda que outros investidores demonstraram interesse na compra da loja digital, mas o objetivo pessoal dele era manter a essência idealista da GOG: ser um refúgio para jogadores que valorizam propriedade real dos títulos e a preservação de clássicos. A empresa deve continuar com sua missão de manter jogos antigos acessíveis e sem DRM, características que a diferenciam de plataformas como Steam e Epic Games Store.

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Reviver clássicos e adquirir propriedades esquecidas

Uma das metas centrais da nova fase da GOG é investir em remasterizações e reedições de jogos antigos. Essa estratégia segue um modelo similar ao da Nightdive Studios, empresa que ganhou destaque ao modernizar títulos lendários como System Shock e Turok. Segundo Bartosz Kwietniewski, chefe de desenvolvimento da GOG, o plano é adquirir IPs esquecidas e reconstruí-las para públicos modernos.

Em 2024, a empresa já havia colaborado com a Capcom para lançar versões atualizadas de títulos como Resident Evil, Dino Crisis e Breath of Fire IV, tornando-os compatíveis com sistemas operacionais modernos. Essas parcerias consolidam a expertise técnica da GOG na revitalização de software legado, um dos nichos mais promissores do mercado retrô atual.

A experiência de Kicinski com publicações indie

Além de sua longa trajetória na CD Projekt, Kicinski também é cofundador da Retrovibe, uma publicadora independente que supervisionou projetos como Janosik, Impaler e Project Warlock. Esse histórico reforça a possibilidade concreta de que a GOG amplie suas operações para atuar como publisher, apoiando desenvolvedores menores que buscam alternativas fora dos grandes ecossistemas de distribuição.

Olhar para o Linux: liberdade e comunidade

Kicinski também indicou que a plataforma pretende dar mais atenção ao Linux. Em entrevista ao PC Gamer, ele destacou que o crescimento do sistema operacional entre jogadores e power users é resultado direto da saturação do Windows, em especial após a recente integração de recursos de inteligência artificial. Inspirada pelo sucesso da Steam Deck e pelas otimizações da Valve para o Proton, a GOG vê oportunidades em atender uma comunidade historicamente negligenciada.

Interface da loja GOG mostrando jogos retrô no PC
Interface da loja GOG, exemplo do compromisso com preservação e acessibilidade

Vale notar que diversos jogos disponíveis no GOG Galaxy já possuem executáveis compatíveis com Linux, mas o launcher oficial da plataforma ainda não tem suporte nativo. Hoje, a melhor forma de rodar os títulos em Linux é via ferramentas como o Heroic Games Launcher — um cliente open source capaz de integrar catálogos da GOG, Epic e Amazon Games. Essa lacuna técnica é um dos focos estratégicos da nova gestão.

Em um mercado amplamente dominado pela Steam, a GOG busca diferenciação em curadoria e autenticidade. Enquanto a concorrente da Valve adiciona centenas de novos títulos diariamente, a GOG pretende manter um catálogo mais seletivo, destacando lançamentos de qualidade e sem DRM. Jogos como Kingdom Come: Deliverance II e Clair Obscur: Expedition 33 mostram que a loja ainda oferece lançamentos relevantes, mas sua vantagem competitiva seguirá centrada na preservação e experiência sem restrições.

Com essa nova abordagem, a empresa tenta equilibrar nostalgia e inovação, oferecendo acesso legítimo a obras que poderiam ser perdidas no tempo e investindo em plataformas abertas — um posicionamento que dialoga diretamente com a cultura gamer contemporânea, cada vez mais consciente dos direitos digitais.

Perguntas Frequentes

  1. O que muda com a independência da GOG?

    A independência permite que a GOG publique seus próprios jogos, adquira IPs clássicas e invista em melhorias de compatibilidade, algo que não era possível sob o controle da CD Projekt.

  2. A GOG vai lançar jogos para Linux?

    Kicinski confirmou que há planos de aprimorar o suporte ao Linux no GOG Galaxy, reconhecendo o aumento do uso do sistema por gamers que evitam o Windows.

  3. O que diferencia a GOG da Steam?

    Enquanto a Steam prioriza volume, com milhares de lançamentos anuais, a GOG aposta na curadoria e em títulos sem DRM, preservando a integridade dos jogos clássicos.

Considerações finais

A nova fase da GOG é uma tentativa de reconectar a empresa às suas raízes, promovendo liberdade, preservação cultural e inovação. Sob o comando de Michal Kicinski, o futuro da plataforma parece inclinado a conciliar o valor dos clássicos com o potencial criativo dos independentes. Se conseguir equilibrar essas frentes, a GOG poderá ocupar um papel singular na indústria dos games — um guardião moderno da história digital.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.

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