Kakao Entertainment lidera ação global contra o site Bato.to
A plataforma pirata de mangás e manhwas Bato.to desapareceu repentinamente esta semana, deixando milhões de leitores sem acesso. Segundo informações do site TorrentFreak, a ação foi conduzida pela gigante sul-coreana Kakao Entertainment, que identificou o operador do site e iniciou processos legais contra ele e colaboradores.
Tabela de conteúdos
Fim de uma era para os leitores de mangá online
Por muitos anos, o Bato.to foi considerado um dos maiores repositórios de quadrinhos online, hospedando milhares de títulos de mangá e manhwa, geralmente disponibilizados sem autorização dos detentores de direitos. A plataforma reunia milhões de visitas mensais, sustentadas por uma ampla rede de sites espelho e comunidades afiliadas. No entanto, desde novembro de 2024, problemas técnicos começaram a surgir, com moderadores relatando dificuldades em contatar o administrador conhecido apenas como Larry.
Fechamento de comunidades e silêncio forçado

A situação agravou-se quando o servidor oficial do Discord do Bato.to anunciou seu fechamento, citando preocupações legais. Pouco tempo depois, o subreddit r/Batoto restringiu suas atividades, afastando-se formalmente de qualquer relação com o site pirata. Em nota, os moderadores reforçaram o respeito às leis de direitos autorais e declararam encerradas todas as discussões sobre o antigo Bato.to.

Essas medidas indicam uma ofensiva legal coordenada. Além das suspensões em plataformas conhecidas, novos servidores e grupos relacionados à leitura de quadrinhos online começaram a adotar políticas rígidas contra qualquer tipo de conteúdo não licenciado. O exemplo mais citado é o da nova comunidade Yoru, que orienta seus membros a consumir material apenas em plataformas oficiais, como Webtoon e Tapas.
Kakao Entertainment assume a responsabilidade pela operação

A Kakao Entertainment, conglomerado de mídia que controla parte dos maiores serviços de quadrinhos digitais da Coreia, confirmou oficialmente que está por trás da operação. A empresa atua por meio de sua divisão anti-pirataria, P.CoK, responsável pela investigação, rastreamento e ação judicial contra o operador do site. De acordo com o comunicado obtido pelo TorrentFreak, a P.CoK conseguiu identificar o fundador e desenvolvedor principal do Bato.to, que agora enfrenta um processo em seu país de residência.
“Adotamos uma estratégia que categoriza os indivíduos envolvidos em múltiplos níveis, aplicando medidas legais adequadas a cada caso. As ações judiciais já estão em andamento”, declarou a P.CoK.
P.CoK (unidade anti-pirataria da Kakao Entertainment)
Ordens de cessar e desistir alcançam moderadores e administradores
A atuação da Kakao não se limitou ao operador principal. A P.CoK identificou outros colaboradores, incluindo moderadores, subdesenvolvedores e administradores comunitários. Todos receberam cartas de Cease and Desist (C&D), instruindo a imediata interrupção de atividades relacionadas ao Bato.to. Essas notificações vieram acompanhadas de justificativas legais e listas de ações esperadas, orientando os destinatários a cessar qualquer operação que envolvesse material protegido por direitos autorais.
Novos alvos e futuras ações judiciais

Em uma atualização recente, os moderadores do r/Batoto confirmaram a pressão direta da Kakao Entertainment e restringiram ainda mais o subreddit, temendo novas notificações legais. Paralelamente, sites considerados sucessores espirituais do Bato.to estão sendo monitorados de perto. Segundo a P.CoK, a atenção agora se volta para serviços como MangaPark e AniXL, que mantêm vínculos com o antigo ecossistema do Bato.to. A divisão anti-pirataria já prepara novos processos contra essas plataformas.
“Estamos cientes de que alguns dos envolvidos atuam também em sites como MangaPark e AniXL. Por isso, estamos preparando ações legais robustas contra eles”, afirmou a P.CoK em seu comunicado final.
O impacto para a indústria e os leitores
A ofensiva da Kakao marca um avanço importante nas políticas de proteção de conteúdo na Ásia. Editoras e autores há muito reclamam das perdas causadas por plataformas piratas, que comprometem as receitas de vendas e desmotivam criadores independentes. Embora a remoção do Bato.to tenha sido recebida com frustração por parte da comunidade de fãs, o movimento reflete uma tendência inevitável de regular a distribuição digital de quadrinhos.
Enquanto grandes corporações intensificam a vigilância sobre a pirataria digital, novos desafios surgem: como equilibrar o acesso à cultura e a sustentabilidade econômica dos criadores. No caso do Bato.to, a era da leitura livre e sem restrições chegou a um ponto crítico.
Perguntas frequentes sobre o caso Bato.to
Quem está por trás da ação contra o Bato.to?
A operação é liderada pela Kakao Entertainment, conglomerado sul-coreano que atua por meio da divisão anti-pirataria P.CoK, responsável por rastrear e processar indivíduos ligados ao site pirata.
O que aconteceu com os moderadores e administradores do Bato.to?
Eles receberam ordens de cessar e desistir e foram instruídos a encerrar suas atividades. Muitos também encerraram comunidades em Reddit e Discord.
O Bato.to voltará a funcionar?
Atualmente, é improvável. A operação enfrenta ações legais em andamento e a P.CoK monitora de perto quaisquer novos sites similares.
Quais outros sites estão sendo investigados?
A P.CoK informou que MangaPark e AniXL estão entre os novos alvos de ações judiciais, por suposta ligação com o Bato.to.
Considerações finais
O fim do Bato.to simboliza o início de um novo capítulo na luta contra a pirataria digital de quadrinhos. A cada ataque coordenado como este, as fronteiras entre liberdade de acesso e respeito à propriedade intelectual tornam-se mais definidas. A Kakao Entertainment, ao assumir abertamente a ofensiva, envia uma mensagem clara a sites similares: o tempo da impunidade está acabando.
Fonte: Torrent Freak

