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Gentoo Linux abandona GitHub e migra para Codeberg

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Em uma decisão que ecoa entre os projetos de código aberto, o Gentoo Linux anunciou a saída do GitHub, citando preocupações com o uso intenso da inteligência artificial Copilot. A mudança visa garantir um ambiente de desenvolvimento mais ético e transparente. A nova casa do projeto será o Codeberg, uma plataforma sem fins lucrativos baseada no software livre Forgejo.

A decisão do Gentoo e a influência da IA no GitHub

Em 16 de fevereiro de 2026, o Gentoo confirmou oficialmente sua transição para o Codeberg. A motivação principal foi a crescente pressão exercida pelo GitHub para adoção do Copilot, ferramenta lançada pela Microsoft em 2022. Ela utiliza algoritmos de IA generativa para sugerir e escrever linhas de código — mas nem todos os desenvolvedores veem isso com bons olhos.

GitHub Copilot e polêmicas de uso de IA
GitHub Copilot é alvo de críticas por uso de dados sem consentimento (Imagem: Divulgação/GitHub)

Segundo o comunicado publicado no site oficial do Gentoo, a equipe estava insatisfeita com a tentativa de integração forçada do Copilot nos repositórios. A ferramenta é vista como um risco à integridade do código, especialmente por gerar trechos baseados em padrões aprendidos de outros projetos, sem garantia de originalidade ou licença apropriada.

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Por que o Codeberg foi escolhido

O Codeberg foi escolhido como novo lar por representar o oposto do modelo do GitHub. Mantido por uma organização sem fins lucrativos na Alemanha, o Codeberg é construído sobre o Forgejo, um sistema de hospedagem de repositórios open source. A plataforma é gerida de forma transparente, sem algoritmos de recomendação de IA e sem coleta de dados de usuários para fins comerciais.

Migração do Gentoo Linux para Codeberg
A comunidade Gentoo reforça compromisso com software livre e transparência

IA generativa e o debate ético no código aberto

O uso de inteligência artificial na programação divide opiniões. Enquanto muitos desenvolvedores celebram a agilidade trazida por ferramentas como o Copilot, comunidades tradicionais de código aberto alertam para riscos que incluem plágio de código, vulnerabilidades e até violação de licenças. Em 2024, o próprio Gentoo proibiu o envio de qualquer código gerado com auxílio de IA, citando falta de rastreabilidade e comprometimento da segurança.

O desenvolvedor Jeff Geerling, figura proeminente na comunidade open source, reforçou essa visão: “Gerar código com IA está ficando mais fácil, mas não mais inteligente”. Já Linus Torvalds, criador do Linux, chegou a testar assistentes de automação de código, mas reconheceu que o controle humano continua essencial.

Impacto da saída e o futuro do projeto

O Gentoo Linux mantém seu repositório principal em infraestrutura própria, mas usava o GitHub para espelhar repositórios e gerenciar solicitações de pull requests. Agora, tudo será concentrado no Codeberg, garantindo maior autonomia. A decisão inspira outros projetos a repensarem seu relacionamento com plataformas comerciais dominadas por IA.

Especialistas acreditam que o movimento do Gentoo é parte de uma tendência maior no universo open source, onde soberania digital e ética de dados ganham protagonismo. “Não se trata apenas de onde o código mora, mas de como ele é produzido”, destacou um membro da comunidade europeia de software livre.

Gentoo no Codeberg: o início de uma nova era

Com a migração concluída, repositórios, contribuições e pull requests do projeto agora vivem no ambiente do Codeberg. A equipe da distribuição garantiu que não haverá interrupções para usuários ou colaboradores. No entanto, novas submissões seguem vetadas caso utilizem trechos gerados por IA, reforçando um padrão de qualidade orientado por humanos.

Embora o Gentoo continue utilizando ferramentas de automação e integração, a diferença é clara: os desenvolvedores querem que cada linha de código tenha origem verificável e consciente, sem a interferência de modelos generativos.


  1. Por que o Gentoo Linux deixou o GitHub?

    O Gentoo abandonou o GitHub devido à integração forçada do Copilot, ferramenta de IA da Microsoft. Os desenvolvedores consideraram que o uso extensivo de IA compromete a qualidade e a ética do código aberto.

  2. O que é o Codeberg e por que foi escolhido?

    O Codeberg é uma plataforma de hospedagem de código open source, administrada por uma organização sem fins lucrativos baseada na Alemanha. Foi escolhida por oferecer um ambiente livre de integração com IA e mais transparente.

  3. O Copilot representa riscos para o open source?

    Sim. A principal crítica é que o Copilot pode gerar trechos de código similares a projetos existentes, levantando preocupações sobre plágio, privacidade e licenciamento.

Considerações finais

O afastamento do Gentoo Linux do GitHub simboliza mais do que uma simples troca de repositório: trata-se de um posicionamento firme sobre o papel da inteligência artificial no desenvolvimento de software. Ao escolher o Codeberg, o projeto reitera seu compromisso com o software livre, a autonomia técnica e a transparência — valores cada vez mais relevantes em um mundo dominado por sistemas automatizados.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.