Perfis da Oppo e Huawei no Brasil sofrem ataque hacker
Os perfis oficiais da Oppo e da Huawei no Instagram sofreram um ataque hacker na madrugada desta segunda-feira (23). As contas exibiram publicações com mensagens de um suposto grupo de invasores, em um episódio classificado pela comunidade de cibersegurança como Account Take Over (ATO) — quando criminosos assumem o controle de perfis legítimos através de credenciais ou brechas de sistema.
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Ataque coordenado afeta marcas globais
De acordo com informações apuradas pelo Tecnoblog, as postagens maliciosas apareceram simultaneamente nos perfis das duas fabricantes chinesas, ambas com atuação ativa no mercado brasileiro de smartphones. A Oppo, com mais de 242 mil seguidores, foi a mais afetada, registrando quatro publicações consecutivas com fundo preto e mensagens em letras brancas. Os invasores se identificaram como “biglongs” e “mano ottoni” e incluíram a frase “atos burros e suas consequências”.
Já o perfil da Huawei, com 163 mil seguidores, teve apenas uma publicação indevida antes que a equipe de social media agisse para conter o dano. A postagem foi removida em poucos minutos, o que limitou o alcance do conteúdo malicioso. A empresa ainda não divulgou comunicado oficial sobre a invasão, mas fontes próximas informam que um relatório de segurança foi aberto para analisar as origens do ataque.

Os especialistas classificam esse tipo de intrusão como Account Take Over (TAO), um tipo específico de ciberataque que consiste em tomar controle de contas de redes sociais, geralmente por meio de roubo de credenciais ou phishing digital. Nesses casos, o criminoso obtém acesso ao login e à senha de administradores, assumindo temporariamente a comunicação pública das marcas.
Falhas de segurança em redes sociais corporativas
O ataque reacende o debate sobre a segurança de plataformas sociais usadas por marcas e grandes empresas. Embora redes como o Instagram ofereçam autenticação de dois fatores, especialistas alertam que a proteção só é eficaz se todos os administradores ativarem o recurso e evitarem práticas inseguras, como o compartilhamento de senhas via e-mail ou grupos internos de mensagens.
“Esse tipo de invasão demonstra que, mesmo marcas globais, com grandes equipes de TI, estão expostas a descuidos humanos e mecanismos sofisticados de engenharia social”, afirma o especialista em segurança digital Rafael Silveira.
Rafael Silveira, analista de cibersegurança e consultor da SecureLab Brasil
Entre as medidas recomendadas para amenizar riscos estão: o uso de senhas robustas e únicas para contas corporativas, a restrição do número de administradores com acesso e a verificação constante através de logs de login, alertas de localização suspeita e sessões ativas fora do horário comercial.
Comunicação rápida e monitoramento minimizaram danos
A rápida atuação das equipes de comunicação das fabricantes evitou que o caso gerasse consequências mais graves. Segundo relatos, a Huawei conseguiu restaurar o controle total de sua conta em menos de 15 minutos, enquanto a Oppo levou cerca de uma hora e meia para remover todo o conteúdo malicioso e restabelecer a normalidade.
Internautas notaram as publicações e rapidamente divulgaram capturas de tela. No entanto, análises feitas pelo Tecnoblog não identificaram vínculos entre o grupo responsável e outros incidentes recentes nas contas da Apple, Samsung, Realme e Xiaomi — todas aparentemente intactas até o momento.
Impacto para o mercado de tecnologia
Apesar de pontual, o ataque reforça a preocupação com a reputação digital de fabricantes de tecnologia. Em um cenário competitivo, incidentes assim podem gerar desconfiança entre consumidores e parceiros comerciais. Segundo o analista de mercado Bruno Januzzi, qualquer falha pública em ativos digitais ameaça a credibilidade e exige resposta comunicacional imediata.
- O ataque foi registrado em pleno horário de baixa supervisão — entre 1h e 3h da madrugada.
- O conteúdo não mencionava demandas financeiras ou políticas, indicando ação de notoriedade.
- Os perfis foram normalizados com a ajuda de equipes de TI internacionais.
- O Instagram confirmou estar colaborando com autoridades para rastrear as origens do ataque.
Lições e boas práticas para empresas
O caso da Oppo e Huawei serve de alerta para o fortalecimento da cultura de segurança digital em companhias que dependem fortemente de redes sociais. É essencial realizar auditorias frequentes nas permissões de acesso, implementar autenticações multifator obrigatórias e investir em treinamentos internos para equipes de marketing e suporte.
Perguntas frequentes sobre ataque Oppo e Huawei
O que é um Account Take Over (ATO)?
Account Take Over é um tipo de ataque cibernético no qual invasores obtêm acesso a contas legítimas, geralmente comprometendo logins e senhas. Após o acesso, eles podem alterar informações, publicar conteúdos ou roubar dados sensíveis.
Como proteger perfis corporativos nas redes sociais?
Ative a autenticação multifator, limite o número de administradores e monitore logins suspeitos. Evite usar a mesma senha em diferentes plataformas e eduque equipes sobre phishing e engenharia social.
As marcas vão sofrer punições por falhas de segurança?
Até o momento, não há sanções diretas. No entanto, vulnerabilidades expostas podem gerar questionamentos legais caso dados de usuários tenham sido comprometidos, além de prejudicar a imagem pública das marcas.
Considerações finais
O incidente com as contas da Oppo e da Huawei no Instagram demonstra que nem mesmo grandes corporações estão imunes a falhas humanas e vulnerabilidades de sistema. Embora os danos tenham sido limitados, o episódio reforça a urgência de políticas rígidas de autenticação, supervisão constante e resposta ágil a incidentes digitais.
À medida que a dependência de redes sociais cresce, a proteção desses canais torna-se fator estratégico não apenas para a segurança de dados, mas também para a confiança da marca no mercado.

