Wisconsin aprova referendo contra novos data centers de IA
Em uma decisão sem precedentes nos Estados Unidos, os moradores da cidade de Port Washington, Wisconsin, votaram para impor novas restrições ao desenvolvimento de data centers de inteligência artificial (IA). O referendo, aprovado com cerca de 66% dos votos, exige que qualquer projeto que receba mais de US$ 10 milhões em incentivos fiscais seja submetido à aprovação popular prévia. A iniciativa marca um ponto de inflexão na relação entre comunidades locais e grandes empresas de tecnologia que investem em infraestrutura massiva para IA.
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O voto que chamou atenção de todo o setor tecnológico
A votação em Port Washington ganhou relevância nacional por ser a primeira do tipo. A decisão surge em meio a uma onda de crescimento de centros de dados de IA — instalações que consomem enormes quantidades de energia elétrica e água para manter o funcionamento de servidores e sistemas de resfriamento. Com o avanço de empresas como OpenAI, Oracle e outros gigantes da tecnologia, o impacto ambiental e social desses complexos passou a gerar resistência em diversas comunidades.

O megaprojeto de US$ 15 bilhões e a reação local
O estopim para o referendo foi o projeto de um campus de IA de US$ 15 bilhões liderado pela Vantage Data Centers, desenvolvido em parceria com a OpenAI e a Oracle. O empreendimento faz parte da iniciativa federal “Stargate”, lançada durante o governo Trump para expandir a infraestrutura de inteligência artificial nos EUA. A proposta original previa US$ 458 milhões em benefícios fiscais concedidos pela cidade — um valor que provocou indignação entre parte significativa da população local.
Em resposta, um grupo comunitário chamado Great Lakes Neighbors United organizou um movimento de oposição, coletando mais de 1.000 assinaturas para colocar a questão em votação. As preocupações levantadas incluíam poluição sonora, uso excessivo de água doce e aumento nas tarifas de energia elétrica.
Impacto ambiental e econômico dos data centers
Os data centers de IA requerem quantidades imensas de energia elétrica e água para operação contínua. Segundo estudos citados por legisladores norte-americanos, os custos de eletricidade em áreas próximas a grandes centros de dados subiram até 267% nos últimos cinco anos. Esse aumento tem levantado questões sobre o impacto desses megacomplexos na infraestrutura energética e no custo de vida dos consumidores.
“Essas instalações consomem recursos que deveriam ser destinados a toda a comunidade”, afirmou um representante da Great Lakes Neighbors United, reforçando a necessidade de um debate mais amplo sobre o tema.
Great Lakes Neighbors United
Disputa judicial e o futuro do projeto
Apesar da votação, o referendo não tem poder retroativo para interromper o projeto da Vantage Data Centers que já está em andamento. Contudo, ele representa um marco importante para futuros empreendimentos. A Associação Metropolitana de Comércio de Milwaukee apresentou uma ação judicial argumentando que a medida viola as leis estaduais, o que pode levar o caso a uma longa disputa nos tribunais.
Outras cidades seguem o mesmo caminho
Port Washington não está sozinha na resistência. Em Monterey Park, Califórnia, uma votação semelhante está marcada para junho e pode proibir totalmente novas construções de data centers. Já em Michigan, o município de Augusta Township decide em agosto se vai anular uma lei local que autorizou a construção de um complexo semelhante. A cidade de Janesville, Wisconsin, votará o tema em novembro.
De acordo com dados do Data Center Watch, uma ferramenta de monitoramento da empresa de IA 10a Labs, pelo menos 20 projetos de centros de dados no valor total de US$ 98 bilhões foram bloqueados ou adiados entre março e junho de 2025 devido à resistência local.
Repercussões nacionais e avaliação de futuro
Especialistas acreditam que o caso de Port Washington pode estabelecer um precedente regulatório em todo o país, influenciando como futuras parcerias público-privadas serão estruturadas. O equilíbrio entre o desenvolvimento tecnológico e a sustentabilidade ambiental deve ser reavaliado à medida que a demanda por poder computacional para IA continua crescendo de forma exponencial.
Empresas como a OpenAI e a Oracle têm se posicionado publicamente em favor de práticas sustentáveis, buscando tornar os data centers mais eficientes e explorando alternativas de energia limpa. Ainda assim, para muitas comunidades locais, as promessas de inovação não compensam os custos ambientais imediatos.
Perguntas frequentes sobre o referendo em Wisconsin dos data centers de IA
O que motivou o referendo contra os data centers em Port Washington?
O referendo foi motivado por preocupações ambientais e econômicas dos moradores com o megaprojeto de US$ 15 bilhões liderado pela Vantage Data Centers, OpenAI e Oracle, que incluía altos incentivos fiscais e possível aumento nos custos de energia.
O projeto da Vantage Data Centers será cancelado?
Não. O projeto já iniciado não será interrompido pelo referendo. No entanto, novas iniciativas semelhantes precisarão de aprovação popular, conforme a nova regra adotada no município.
Outras cidades dos EUA estão adotando medidas parecidas?
Sim. Monterey Park (CA), Augusta Township (MI) e Janesville (WI) também planejam votar restrições ou proibições à construção de novos data centers ainda em 2026.
Quais os principais impactos ambientais dos data centers?
Os data centers consomem grandes volumes de energia e água, contribuindo para aumento nas tarifas locais e maior pressão sobre os recursos naturais. Além disso, causam poluição sonora contínua devido ao funcionamento dos sistemas de refrigeração.
Considerações finais
A decisão dos eleitores de Port Washington representa mais do que uma reação local — é um alerta claro para o setor de tecnologia. Conforme as empresas de IA expandem suas operações, será essencial dialogar com comunidades e repensar modelos de crescimento. A aposta no poder computacional do futuro não pode ignorar os recursos e o bem-estar das populações do presente.
Fonte: TechSpot

