X reduz pagamentos a contas de clickbait, diz Nikita Bier
A plataforma X (antigo Twitter), sob o comando de Elon Musk, anunciou uma nova política que reduz os pagamentos a contas que produzem conteúdo classificado como clickbait e que exageram na repostagem de notícias agregadas. A decisão foi comunicada publicamente por Nikita Bier, chefe de produto da empresa, e já está gerando polêmica entre criadores de conteúdo e influenciadores digitais de diferentes espectros ideológicos.
Corte de pagamentos para agregadores e postagens enganosas
Segundo Bier, todas as contas classificadas como agregadores de conteúdo tiveram seus pagamentos reduzidos em 60% no ciclo atual e deverão sofrer outro corte de 20% no próximo período de pagamento. A medida também atinge usuários que fazem uso constante de termos apelativos como “🚨BREAKING”, na tentativa de aumentar o engajamento.
“Ficou claro que inundar a timeline com cem repostagens roubadas e manchetes sensacionalistas estava prejudicando criadores reais e o crescimento de novos autores”, afirmou Bier.
Nikita Bier, chefe de produto da X
O executivo complementou afirmando que o objetivo da empresa é “proteger a integridade da experiência dos usuários”, enfatizando que a X continuará sendo uma plataforma livre em termos de alcance e discurso, mas que “não recompensará práticas manipulativas”.
Influenciadores reagem: acusações de censura e inconsistência
A reação de criadores não demorou a surgir. O influenciador Dominick McGee, conhecido na plataforma como Dom Lucre, foi um dos primeiros a se manifestar após receber a notificação de desmonetização. Com mais de 1,6 milhão de seguidores, McGee afirmou ter sido “o primeiro criador desmonetizado” e relatou que havia recuperado seus ganhos apenas para perdê-los novamente sem explicação.
“🔥🚨BREAKING… Fui o primeiro criador desmonetizado nesta plataforma e fiquei assim por um ano inteiro. Recuperei e acabei de perder novamente, sem qualquer justificativa”, escreveu McGee.
Dom Lucre (@dom_lucre)
O influenciador ficou conhecido por compartilhar teorias conspiratórias ligadas à eleição presidencial de 2020 nos Estados Unidos. Segundo o The New York Times, McGee chegou a ganhar cerca de US$55 mil por ano pela monetização no X em 2025, mesmo após ter sido suspenso e desmonetizado em 2024 por violar políticas da plataforma.
Após o anúncio de Bier, McGee acusou a empresa de ceder “a reclamações de pessoas sem interesse em criar conteúdo de verdade” e defendeu que raramente utiliza o termo “BREAKING” em seus posts — embora usuários tenham adicionado uma nota comunitária apontando 91 usos em uma única semana.
Algoritmos e debate sobre qualidade da informação
O debate sobre a decisão acontece em um momento em que a X é criticada pela priorização de contas de alta visibilidade, especialmente alinhadas a grupos políticos da direita norte-americana. O estatístico e analista de dados Nate Silver argumentou recentemente que o tráfego gerado pela plataforma para sites de notícias está em declínio, além de apontar um desequilíbrio na visibilidade de opiniões.
“Eu já suspeitava que a situação não era boa, mas é isso que acontece quando o ecossistema está quebrado.”
Nate Silver, analista de dados
Bier respondeu negando a precisão dos dados apresentados por Silver, enquanto Musk classificou as críticas como “bobagem”. No entanto, relatórios acadêmicos publicados em periódicos científicos e institutos de mídia, como o Nature e o Nieman Lab, indicam que as observações de Silver têm respaldo metodológico.
Impactos no programa de monetização da X
O sistema de monetização do X passou a ser um dos diferenciais promovidos por Elon Musk desde que assumiu a plataforma em 2022. O programa permite que criadores recebam parte da receita publicitária gerada por engajamentos em suas postagens, vinculando recompensas ao número de visualizações e interações. Entretanto, críticos afirmam que esse modelo incentiva práticas de engajamento artificiais e a proliferação de conteúdos sensacionalistas.
A nova diretriz tenta reverter essa tendência, priorizando, segundo Bier, “criadores originais e contribuições genuínas”. Ainda assim, a definição do que constitui um “agregador” ou “conteúdo clickbait” permanece vaga, levando a uma série de questionamentos sobre transparência e critérios internos.
Análise: uma tentativa de reequilibrar o ecossistema social
Para especialistas em mídia digital e economia de plataformas, a medida representa um esforço da X para restaurar o equilíbrio entre liberdade de expressão e estímulo à qualidade de conteúdo. No entanto, há riscos de efeito contrário, já que a ausência de clareza na aplicação dos cortes pode afastar criadores legítimos.
Enquanto a empresa tenta lidar com a pressão de anunciantes e reguladores, é provável que ajustes adicionais sejam implementados até o fim de 2026. O episódio reforça o dilema central das redes sociais modernas: como recompensar o engajamento sem distorcer a integridade da comunicação.
Perguntas frequentes sobre a decisão da X
Por que a X reduziu os pagamentos a contas de clickbait?
A empresa afirma que a prática de publicar postagens sensacionalistas e repostagens em massa prejudica a visibilidade de criadores originais e afeta negativamente a experiência do usuário.
Quem é Nikita Bier?
Nikita Bier é chefe de produto da X e um dos principais executivos do time de Elon Musk. Ele defende políticas de monetização que privilegiem conteúdo original e de qualidade.
Como os criadores serão afetados pela mudança?
Contas classificadas como agregadores ou com uso excessivo de termos apelativos terão reduções de até 80% nos pagamentos em ciclos sucessivos.
A decisão da X afeta a liberdade de expressão na plataforma?
Segundo Bier, não. A empresa garante que o alcance das postagens não será afetado, mas apenas a remuneração de práticas consideradas manipulativas.
Considerações finais
O corte nos pagamentos a contas que produzem conteúdo clickbait marca mais uma tentativa da X de redefinir seu modelo de monetização e recuperar a confiança de criadores e anunciantes. Embora a medida tenha o potencial de melhorar a qualidade das publicações, seu impacto a longo prazo dependerá da consistência e transparência na aplicação das novas regras. Em meio a um cenário de constante disputa pela atenção digital, o desafio de Musk e Bier será equilibrar liberdade de criação e responsabilidade social na economia da atenção.

