Galaxy Ring 2: 6 razões para o sumiço em 2025
Samsung adiou o Galaxy Ring 2 em 2025; lançamento só após 2026, ausente na linha global por limitações de tamanho, precisão, preço e manutenção. O anel inteligente, elogiado pelo conforto e pela autonomia, perdeu prioridade frente ao Galaxy Watch e à integração do Samsung Health.
Preços práticos no Brasil variam: relógios partem de cerca de R$ 1.200 (base) a R$ 2.500 (Ultra), enquanto o Galaxy Ring custa acima de R$ 2.000. A seguir, detalhamos seis fatores que explicam o sumiço, evidências de testes do Canaltech e caminhos possíveis para a próxima geração.
Tabela de conteúdos
1. Tamanhos limitados complicam o ajuste
Diferente do relógio com pulseira ajustável, um anel exige numeração exata. Enquanto joalherias oferecem dezenas de medidas, a Samsung disponibilizou cerca de 15, o que estreita o encaixe ideal. Em dedos cuja articulação (junta) é mais larga que a base, um número folga e o seguinte aperta. O resultado é frustração antes mesmo de ligar o aparelho.
A marca criou um processo de medição próprio, mas ele adiciona uma etapa e não resolve todas as variações anatômicas. Para um wearable que deve ficar o dia inteiro no corpo, o conforto tem peso decisivo; se o uso incomoda, o hábito se perde rapidamente e a percepção de valor cai.
2. Precisão de dados ainda deixa dúvidas
Um wearable precisa medir com consistência. Em testes relatados pela equipe do Canaltech, o Galaxy Ring e outros anéis do mercado mostraram imprecisões na contagem de passos, inclusive registrando passos durante o sono. Por outro lado, o monitoramento de frequência cardíaca e a análise de sono são bem avaliados, em parte porque dormir com um anel é menos incômodo do que com um relógio.
Para quem treina, porém, erros em atividades físicas pesam. Num produto de ticket elevado, tolerância a falhas é baixa: consumidores esperam paridade com relógios nos indicadores essenciais.
“Vimos inconsistências na contagem de passos, inclusive durante o sono, em testes com diferentes anéis inteligentes.”
Amanda Abreu, Canaltech
3. Anel x smartwatch: redundância e prioridade do relógio
O Samsung Health prioriza dados coletados pelo relógio. Se você usa um Galaxy Watch e o Ring juntos, o aplicativo favorece o relógio, e o anel entra em economia de energia. Ou seja, o anel vira um “complemento do complemento”. Sem tela, GPS ou NFC, ele não substitui o smartwatch e, no ecossistema da própria marca, ocupa naturalmente o segundo plano. Para muitos usuários, isso erode a justificativa de compra do anel, já que o relógio entrega mais recursos por preço semelhante — e com maior maturidade de medições durante treinos.
Recurso | Galaxy Ring | Galaxy Watch 7 |
Tela/Interação | Sem tela | AMOLED + apps |
GPS/NFC | Não | Sim |
Sono/FC | Bom conforto | Bom + métricas extras |
Preço típico | > R$ 2.000 | R$ 1.200 a R$ 2.500 |
4. Produto de nicho com preço de protagonista
Smartwatches seguem em alta adoção, enquanto anéis inteligentes ainda educam mercado. No Brasil, o Galaxy Watch 7 base pode surgir perto de R$ 1.200 em promoções, e versões avançadas chegam por volta de R$ 2.500. Já o Galaxy Ring frequentemente passa de R$ 2.000. Em termos de custo-benefício, é uma disputa dura: o relógio oferece mais sensores, apps e versatilidade. Sem uma proposta claramente superior — ou mais barata — o anel permanece um gadget para público bem específico: quem quer rastrear sono e sinais vitais com conforto máximo e sem tela.
5. Experiência de compra confusa: o kit medidor
Para reduzir erros de tamanho, a Samsung criou um kit medidor, vendido por cerca de R$ 99 e depois reembolsado em desconto. A etapa, contudo, adiciona atrito a uma compra que deveria ser simples, sobretudo online. Em vez de escolher a numeração na hora, o cliente precisa adquirir o kit, aguardar a entrega, medir, retornar ao site e só então comprar o anel.
Cada passo extra reduz conversão. Para quem quer presentear, o processo fica ainda menos intuitivo. O resultado é uma barreira comercial que a concorrência com relógios — com numerações triviais de pulseira — não enfrenta.
6. Manutenção difícil em um corpo minúsculo
Os anéis integram bateria de lítio e sensores na própria estrutura. Abrir para trocar bateria ou reparar componentes não é trivial e pode danificar o acessório. Isso encarece a manutenção e, em muitos casos, inviabiliza conserto fora da assistência.
Em produtos caros, a perspectiva de descarte por falha após alguns anos pesa na decisão de compra. Até que o design permita serviços mais seguros — ou que programas de troca sejam amplamente acessíveis — parte do público entusiasta pode permanecer cautelosa.
O que esperar do futuro do Galaxy Ring
Há indicações de que uma nova geração do anel esteja em desenvolvimento, mas um lançamento amplo não deve ocorrer antes de 2026. Para ganhar tração, o produto precisa resolver quatro frentes:
1) ajuste mais preciso, com mais tamanhos ou materiais elásticos;
2) melhoria da precisão em passos e exercícios;
3) papel claro no ecossistema, com métricas exclusivas e integração inteligente que não subordine o anel ao relógio;
4) política de manutenção e troca de bateria que reduza ansiedade de longo prazo. Se essas lacunas forem endereçadas, o anel pode se tornar uma alternativa real para quem valoriza conforto noturno e coleta passiva sem telas.
Transparência editorial: preços e disponibilidade citados são estimativas no Brasil e podem variar. Os relatos de precisão são baseados em testes e reviews do Canaltech, como o review do Galaxy Ring e avaliações de anéis concorrentes.
Equipe Canaltech
Por que o Galaxy Ring 2 não saiu em 2025?
Resposta direta: a Samsung priorizou relógios e adiou o anel para além de 2025. Expansão: há questões de tamanho, precisão de passos, preço e manutenção; juntas, elas reduziram apelo e complicaram a logística de venda. Validação: baseia-se em testes e análises do Canaltech e no posicionamento do Samsung Health que prioriza o Galaxy Watch.
O anel mede melhor sono do que o relógio?
Resposta direta: para conforto noturno, o anel leva vantagem. Expansão: dormir com anel é menos incômodo, o que favorece aderência e leituras consistentes de sono e frequência cardíaca. Validação: relatos de uso em reviews do Canaltech indicam boa experiência no sono, mas sem ganhos de recursos sobre relógios.
Ele substitui um Galaxy Watch em treinos?
Resposta direta: não; faltam tela, GPS e NFC. Expansão: o Samsung Health prioriza dados do relógio quando ambos estão juntos, tornando o anel um complemento com foco em sinais vitais. Validação: comparação funcional e documentação pública do ecossistema mostram mais métricas ativas no relógio.
O kit medidor vale a pena?
Resposta direta: ajuda, mas adiciona atrito à compra. Expansão: o kit reduz erros de tamanho e é reembolsável, porém impõe um fluxo em duas etapas que derruba a conversão e desestimula presentes. Validação: política oficial da Samsung e observações de mercado indicam impacto no funil de venda.
Quando esperar a próxima geração?
Resposta direta: sinais apontam para 2026 ou depois. Expansão: a marca trabalha em evolução do anel, mas precisa resolver ajuste, precisão, papel no ecossistema e manutenção. Validação: cobertura do Canaltech e rumores do setor sugerem janela pós-2025, sem data confirmada.
Considerações finais sobre Galaxy Ring 2
O Galaxy Ring 2 não desapareceu por acaso: há um conjunto de obstáculos — ajuste limitado, dúvidas de precisão em passos, sobreposição com o smartwatch, preço alto, compra em duas etapas e manutenção complexa — que freou seu avanço.
Ainda assim, a ideia tem méritos claros em conforto e uso noturno. Se a próxima geração entregar ajuste mais amplo, métricas realmente confiáveis e um papel único no ecossistema Samsung, o anel pode deixar o nicho e disputar espaço com os relógios. Até lá, quem quer versatilidade e treinos completos segue encontrando mais valor nos smartwatches.