GamesNoticias

Epic Games Store cresce, mas vendas de terceiros não acompanham

PUBLICIDADE

Nos últimos anos, a Epic Games Store passou por uma expansão notável, conquistando milhões de novos usuários ao redor do mundo. No entanto, o tão esperado aumento nas vendas de jogos third-party — ou seja, aqueles produzidos por desenvolvedores externos — não acompanhou o ritmo do crescimento da base de usuários, conforme apontam relatórios recentes divulgados pela própria Epic.

Usuários sobem 173%, mas receita de jogos third-party cresce apenas 1,6%

De 2019 a 2024, a base de jogadores da Epic Games Store saltou de 108 milhões para 295 milhões de usuários — um aumento impressionante de 173%. Contudo, o gasto total com títulos de terceiros cresceu tímidos 1,6% no mesmo período, indo de US$ 251 milhões para US$ 355 milhões até 2022 e, em seguida, caindo progressivamente nos anos seguintes, chegando a apenas US$ 310 milhões em 2023 e recuando ainda mais em 2024.

Epic Games Store gráfico de crescimento e receita
Usuários sobem fortemente, enquanto o faturamento de terceiros cai de 2023 em diante.

Essa discrepância levanta uma questão crucial: o público da Epic Games Store está, de fato, comprando jogos, ou apenas aproveitando os brindes semanais oferecidos pela empresa? A iniciativa de distribuir títulos gratuitos desde o lançamento da plataforma foi uma das estratégias mais eficazes para atrair novos usuários — mas pode ter criado uma cultura de consumo baseada apenas em promoções.

PUBLICIDADE

A aposta em exclusividades não se traduziu em maiores vendas

Durante esse período, a Epic investiu pesado em exclusivos temporários para competir diretamente com a Steam, plataforma líder no mercado de distribuição de jogos para PC. Títulos como Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2, Tetris Effect, Kingdom Hearts e Alan Wake II ajudaram a manter a relevância da loja. Contudo, mesmo produções de alto perfil como essas tiveram desempenho modesto nas vendas, indicando que o apelo da loja ainda enfrenta resistência entre os consumidores mais habituados ao ecossistema da Valve.

Captura do launcher da Epic Games Store
Apesar dos investimentos em títulos exclusivos, a loja ainda não convenceu a maioria dos jogadores de PC.

Fortnite: o grande sustentáculo financeiro da Epic

Grande parte da receita total da Epic Games Store ainda deriva de microtransações em Fortnite, carro-chefe da empresa desde 2017. Enquanto o título continua movimentando bilhões de dólares anualmente, sua dependência evidencia um desequilíbrio: em todos os relatórios analisados, as vendas de jogos de terceiros representaram menos da metade do faturamento total, e essa proporção tem diminuído desde 2022.

No geral, a receita total da loja cresceu 60% desde 2019, atingindo US$ 1,09 bilhão em 2024. Mas boa parte desse valor está concentrada em produtos e serviços internos da própria Epic, e não em parcerias com desenvolvedores independentes — a razão pela qual a loja foi criada originalmente.

Comparativo direto com a Steam mostra desvantagens estruturais

Mesmo com avanços significativos na interface e na usabilidade do launcher da Epic, a percepção geral dos consumidores ainda é de que a plataforma é lenta e limitada quando comparada ao ecossistema robusto da Steam. Recursos como comunidade integrada, streaming de gameplay e mod marketplaces ainda são referências exclusivas da concorrente. Para muitos usuários, o download gratuito de jogos não é suficiente para substituí-la como principal canal de aquisição.

Analistas apontam que o problema está menos na visibilidade dos jogos e mais no engajamento pós-compra: falta infraestrutura social, ferramentas de recomendação e uma curadoria de conteúdo que incentive novos gastos dentro da plataforma.

O que esperar do relatório de 2025

A Epic Games afirmou que deve divulgar seu relatório “Store in Review 2025” nas próximas semanas, prometendo uma análise detalhada sobre gastos de usuários, engajamento com títulos gratuitos e novas métricas de retenção. Especialistas acreditam que a empresa pode começar a reformular sua estratégia, talvez priorizando programas de fidelidade, clubes de assinatura ou reforçando o suporte a desenvolvedores independentes.

Epic Games vs Steam: uma batalha de longo prazo

Enquanto a Steam se mantém como o padrão da indústria, a Epic Games ainda tenta equilibrar sua política de distribuição justa com um modelo financeiro sustentável. Se a meta é ampliar o ecossistema de desenvolvedores, será necessário mais do que apenas promoções: engajamento, comunidade e inovação devem ser o foco.


Perguntas Frequentes sobre Epic Games Store

  1. Por que a Epic Games Store distribui tantos jogos gratuitos?

    A estratégia de distribuição gratuita visa atrair novos usuários e aumentar a base instalada. Contudo, nem todos esses usuários convertem em compradores efetivos, o que explica o baixo crescimento da receita third-party.

  2. A queda na receita de jogos de terceiros afeta os desenvolvedores independentes?

    Sim. Como o ecossistema da Epic depende de maior engajamento nas compras, os desenvolvedores independentes acabam tendo menos visibilidade e retorno financeiro do que o esperado, o que pode afetar o incentivo à exclusividade.

  3. Fortnite ainda é o principal gerador de receita da Epic Games?

    Sim. Desde 2017, Fortnite domina a receita total da Epic, respondendo por mais da metade do faturamento da loja, por meio de microtransações e eventos sazonais.

  4. A Epic pode ultrapassar a Steam?

    A curto prazo, é improvável que a Epic supere a Steam em número de vendas ou engajamento. No entanto, se consolidar um público fiel e melhorar a experiência do launcher, poderá reduzir significativamente a diferença nas próximas gerações de jogadores.

Considerações finais

O crescimento da Epic Games Store comprova que há espaço para competição no mercado digital de jogos de PC, mas reforça que atrair usuários não é sinônimo de aumentar vendas. Enquanto a empresa mantém uma base de milhões de jogadores atraídos por brindes, o desafio real será transformar esse público em compradores recorrentes — uma tarefa que exigirá não apenas incentivos, mas também inovação no engajamento e na experiência do usuário.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x