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UE valida 1,2 milhão de assinaturas da Stop Killing Games

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A campanha Stop Killing Games, voltada à preservação de jogos digitais e ao direito dos consumidores de acessarem títulos pelos quais pagaram, acaba de alcançar um marco histórico. A União Europeia validou 1.294.188 das 1.448.270 assinaturas arrecadadas pela iniciativa, superando o mínimo exigido para que a proposta seja analisada pela Comissão Europeia. A confirmação foi feita por Moritz Katzner, voluntário do movimento, em publicação no subreddit r/StopKillingGames.

Com cerca de 89% das assinaturas consideradas válidas, o Stop Killing Games cumpre todos os requisitos para seguir à próxima fase. Katzner destacou que a margem de rejeição de 10% coloca o projeto “entre as iniciativas mais bem-sucedidas” da história das petições europeias, já que até 25% de rejeição ainda costuma ser aceito. Ele ressaltou também o esforço coletivo de um grupo totalmente voluntário, movido pela crença na preservação cultural e no consumo justo no setor de jogos digitais.

O que é a Stop Killing Games

Lançada em 2024, a Stop Killing Games é uma Iniciativa de Cidadania Europeia criada para impedir que editoras e empresas de tecnologia removam jogos digitais de circulação ou impeçam seu acesso após o fim dos servidores. O movimento pede que a Comissão Europeia estabeleça protocolos de contingência obrigatórios para que jogadores possam continuar a usar títulos comprados, mesmo após o encerramento de suporte online. Na prática, a iniciativa busca transformar a preservação digital em uma responsabilidade corporativa e legal.

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O principal argumento defendido pelos representantes é que jogos digitais são também parte do patrimônio cultural e tecnológico contemporâneo. Assim como filmes e livros, eles merecem preservação, especialmente em uma era onde versões físicas se tornam cada vez mais raras e os modelos always online condicionam o acesso a servidores temporários.

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Stop Killing Games recebeu cerca de 1,3 milhão de assinaturas válidas (Divulgação/Stop Killing Games)

Participação dos países europeus

Segundo dados divulgados pela equipe do movimento, Alemanha, França e Polônia lideraram o ranking de apoiadores, somando centenas de milhares de assinaturas. Além disso, mais de 31 mil jogadores de Portugal assinaram a petição, junto de 4 mil de Malta e Chipre, o que demonstra a extensão continental da preocupação com o acesso aos jogos digitais adquiridos legalmente.

Próximos passos junto à Comissão Europeia

O próximo passo agora será o agendamento de uma reunião entre os representantes da Stop Killing Games e a Comissão Europeia. Durante o encontro, a equipe deverá apresentar suas propostas detalhadamente, incluindo legislações de sustentação e casos exemplares de remoções excessivas. A iniciativa pretende sugerir mecanismos que obriguem editoras a oferecer meios alternativos de acesso após o desligamento de servidores ou a descontinuação de plataformas.

Em sua mensagem no Reddit, Moritz Katzner pediu paciência à comunidade e enfatizou o trabalho voluntário do grupo: “Nenhum de nós é remunerado; todos temos empregos e famílias. Fazemos isso porque acreditamos que o que estamos defendendo é o certo.” Ele lembrou ainda que os jogadores “não estão falando com uma instituição abstrata, mas com pessoas reais que também amam jogos”.

Preservação de jogos: um debate antigo e urgente

A discussão sobre a preservação de jogos não é recente. Desde o declínio das mídias físicas e o avanço do modelo digital, desenvolvedores e consumidores vêm debatendo sobre o direito de propriedade digital e os efeitos da obsolescência programada em servidores e sistemas de ativação online. Estes fatores tornam títulos inteiros inacessíveis quando encerrados, mesmo para jogadores que os adquiriram legalmente.

Após a pandemia de COVID-19 e a retração do mercado de entretenimento digital, o fechamento de servidores tornou-se mais frequente. Jogos como Anthem, da BioWare e Electronic Arts (EA), encerrado em janeiro de 2026, ilustram bem o problema. Como um RPG totalmente online, tornou-se impossível jogá-lo oficialmente após o desligamento dos servidores.

Curiosamente, fãs do jogo chegaram a demonstrar alternativas. O criador de conteúdo And799 apresentou um servidor privado funcional para Anthem em um vídeo no YouTube, provando que a preservação é tecnicamente possível e depende apenas de vontade das editoras. O ex-produtor executivo da BioWare, Mark Darrah, inclusive afirmou que estaria aberto a repensar o projeto em formato single-player, com um investimento estimado em US$ 10 milhões.

O impacto cultural e econômico da remoção de jogos

Além da perda de acesso, há também um impacto cultural significativo quando títulos são removidos de plataformas digitais. Obras que marcaram épocas, comunidades e períodos criativos desaparecem sem deixar vestígios oficiais. De acordo com a Federação Internacional de Desenvolvedores de Jogos, 80% dos títulos lançados entre 2000 e 2010 já não estão mais comercialmente disponíveis — muitos por dependerem exclusivamente de servidores que foram desativados.

O movimento Stop Killing Games pretende alterar esse ciclo, influenciando novas políticas de preservação e criando uma legislação que obrigue empresas a prover acesso contínuo. Entre as propostas debatidas estão a liberação de código-fonte após cinco anos de inatividade e a criação de arquivos públicos digitais europeus para catalogar e preservar obras do setor.

Perguntas frequentes sobre a campanha de Stop Killing Games

  1. O que significa a campanha Stop Killing Games?

    A Stop Killing Games é uma iniciativa cidadã europeia que busca impedir que empresas de jogos removam títulos digitais após o encerramento de servidores, preservando o acesso de jogadores que compraram os produtos.

  2. Quem lidera o movimento?

    O grupo é formado por voluntários e jogadores de toda a União Europeia. Um dos nomes mais ativos é Moritz Katzner, que atua na comunicação oficial e divulga os avanços no Reddit.

  3. O que muda com a validação pela União Europeia?

    Com 1,29 milhão de assinaturas validadas, a Comissão Europeia é obrigada a se reunir com os organizadores e considerar formalmente a proposta, podendo transformá-la em regulação europeia.

  4. Quando a Comissão Europeia discutirá o tema?

    A campanha agora aguarda o agendamento formal de uma reunião com a Comissão Europeia para debater as medidas de preservação digital propostas.

  5. Como posso apoiar a preservação dos jogos digitais?

    Os jogadores podem acompanhar as atualizações no subreddit r/StopKillingGames, participar de discussões e compartilhar a mensagem nas redes sociais.

Considerações finais

Com o reconhecimento formal pela União Europeia, o movimento Stop Killing Games dá um passo firme em direção à criação de políticas que protejam o acesso a jogos digitais como produtos culturais e históricos. A luta agora é transformar esse reconhecimento social em legislação concreta, equilibrando interesses econômicos e o direito à preservação cultural de uma das formas de arte mais modernas e influentes do século XXI.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.