Cinemas dos EUA pedem bloqueio da venda da Warner para Netflix
As principais redes de cinema dos Estados Unidos se movimentam contra a proposta de venda da Warner para Netflix. Em uma carta enviada ao Subcomitê Judiciário da Câmara dos EUA sobre Reforma Regulatória e Antitruste, a organização Cinema United expressou preocupação de que o acordo possa trazer danos irreversíveis às salas de exibição em todo o mundo. A entidade, que representa a maioria dos exibidores norte-americanos, apelou para o bloqueio judicial da transação bilionária.
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Preocupações do setor cinematográfico
Segundo Michael O’Leary, CEO da Cinema United, a compra criaria uma situação de monopólio no mercado de entretenimento. “Estamos profundamente preocupados com o impacto negativo que essa aquisição pode causar, reduzindo a diversidade de distribuidores e concentrando poder demais em uma única plataforma de streaming”, afirmou o executivo.
A Netflix, conhecida por priorizar lançamentos diretos nas plataformas digitais, não teria interesse em manter longas janelas de exibição nos cinemas, o que preocupa fortemente as redes exibidoras. Relatórios indicam que a empresa propôs limitar a exibição dos filmes da Warner a apenas 17 dias nos cinemas, antes de migrá-los para o streaming, um período muito inferior aos 45 dias considerados ideais pela rede AMC e outras grandes cadeias.
O acordo entre Netflix e Warner Bros.
O negócio proposto pela Netflix envolve a compra da Warner Bros. Discovery (WBD) por cerca de US$ 83 bilhões, somando dinheiro e ações. A operação avalia a Warner em US$ 27,75 por ação e deve ser um dos maiores acordos da história do entretenimento global. Se aprovado, o acordo incorporaria marcas históricas como HBO, DC Filmes e Cartoon Network ao portfólio do streaming.
Para a Netflix, essa compra representaria uma expansão significativa na indústria de conteúdo. Sob o novo guarda-chuva, a empresa poderia administrar diretamente estúdios de cinema, catálogos consagrados e franquias multibilionárias como O Senhor dos Anéis, Batman e Superman. No entanto, essa integração também levanta questionamentos sobre competição, práticas de distribuição e o futuro das salas de exibição.
Reação política e possíveis barreiras regulatórias
Nos Estados Unidos, membros do Congresso e órgãos reguladores receberam o apelo dos exibidores e de representantes do setor audiovisual. A congressista Darrell Issa enviou uma carta formal à Procuradora-Geral dos EUA e à FTC (Federal Trade Commission) solicitando uma revisão antitruste rigorosa. Segundo o documento, a fusão entre a líder do streaming e um dos maiores estúdios da história de Hollywood poderia reduzir significativamente a concorrência e limitar oportunidades para produtoras independentes.
Além das questões de mercado, os críticos temem que a aquisição afete o tecido cultural do cinema tradicional. Com a predominância de títulos sendo lançados diretamente no streaming, diminuiria a presença de produções diversificadas nos cinemas e o público perderia o contato com a experiência coletiva das salas de exibição.
Oposição das concorrentes e o papel da Paramount
Durante o processo de negociação, a Paramount Skydance tentou apresentar uma proposta de compra alternativa, mas teve sua oferta rejeitada pela Warner Bros. O conselho da empresa, de forma unânime, preferiu manter exclusividade com a Netflix. Esse posicionamento gerou acusações de favorecimento e questionamentos éticos sobre a lisura do processo.

Em uma carta aberta, o grupo Paramount afirmou que “a Warner ignorou propostas mais equilibradas em benefício de uma parceria com a líder do streaming, que já controla uma fatia significativa do mercado digital global”. A empresa defende a criação de um comitê independente para revisar as transações e garantir transparência regulatória.
Efeitos esperados caso o acordo seja aprovado
Se a aquisição for aprovada, a Netflix passará a controlar não apenas estúdios de cinema, mas também canais de televisão, serviços de assinatura, e uma biblioteca audiovisual de mais de um século. Isso consolidaria o poder da empresa sobre produção e distribuição, aproximando-a de um ecossistema verticalmente integrado semelhante ao da Disney e da Comcast.
Por outro lado, há quem veja oportunidades. A integração da Warner ao universo Netflix poderia ampliar o alcance global de conteúdos e facilitar a preservação digital de clássicos. Também abriria caminho para novos modelos híbridos de lançamento que conciliem streaming e cinema, uma tendência já explorada pela empresa em produções como O Irlandês e Glass Onion.
Cena atual e próximos passos
As discussões devem se estender ao longo de 2026, com audiências públicas e avaliações de impacto. Enquanto isso, o mercado acompanha de perto os movimentos regulatórios da FTC e do Departamento de Justiça. As associações de cinema prometem continuar pressionando, afirmando que “a sobrevivência do cinema como espaço cultural depende da pluralidade de exibidores e produtores”.
Perguntas frequentes sobre a venda da Warner para Netflix
O que é a aquisição da Warner pela Netflix?
A Netflix fez uma proposta avaliada em cerca de US$ 83 bilhões para comprar a Warner Bros. Discovery. O acordo inclui marcas como HBO, DC e Cartoon Network, e pode alterar radicalmente o mercado de entretenimento.
Por que os cinemas dos EUA se opõem ao acordo?
As redes temem que a Netflix reduza as janelas de exibição nos cinemas, privilegiando o streaming. Isso diminuiria a arrecadação das bilheterias e enfraqueceria o circuito tradicional.
Quem lidera a resistência ao negócio?
A organização Cinema United, chefiada por Michael O’Leary, coordena os esforços para pressionar o Congresso e evitar a fusão. Produtores independentes também apoiam a iniciativa.
O que acontece se o governo aprovar o negócio?
A Netflix passará a controlar estúdios e catálogos da Warner, aumentando seu poder no setor e alterando o equilíbrio competitivo com outras plataformas como Disney+ e Amazon Prime Video.
Considerações finais
A disputa entre os cinemas e o streaming evidencia o momento de transformação da indústria. O caso Warner-Netflix simboliza o choque entre dois modelos que disputam o futuro do entretenimento: o espetáculo coletivo das salas versus o consumo sob demanda. A decisão final dos órgãos reguladores poderá redefinir o equilíbrio entre essas forças e moldar o cenário do audiovisual global nesta década.

