Disney e Paramount acusam ByteDance de pirataria em IA Seedance
Os estúdios Disney e Paramount moveram uma ofensiva jurídica contra a chinesa ByteDance, controladora do TikTok, denunciando as ferramentas de inteligência artificial Seedance e Seedream por uso indevido de propriedade intelectual. As plataformas geram vídeos e imagens hiper-realistas que recriam personagens e cenários de franquias icônicas como Star Wars, Marvel, South Park e Tartarugas Ninja, sem autorização oficial.
Tabela de conteúdos
Notificações de cessar e desistir contra a ByteDance
Segundo documentos obtidos pela revista Variety, ambas as companhias enviaram notificações extrajudiciais pedindo o bloqueio imediato dos conteúdos feitos pelas IAs Seedance (especializada em vídeos) e Seedream (voltada para imagens estáticas). As acusações incluem a reprodução literal de elementos visuais e sonoros de produções icônicas sem qualquer licença.
- Disney: Star Wars, Marvel, animações clássicas e Pixar.
- Paramount: South Park, Star Trek, Bob Esponja, Tartarugas Ninja e O Poderoso Chefão.
As empresas classificam a tecnologia como uma forma moderna de pirataria digital, já que a IA permite criar animações e vídeos “indistinguíveis” dos originais a partir de simples comandos de texto. Para Hollywood, isso representa ameaça direta à propriedade intelectual e aos direitos de imagem de atores e roteiristas.

O caso Seedance 2.0 e o vídeo que acendeu o alerta
O estopim da polêmica foi a viralização de um vídeo gerado pela Seedance 2.0 que mostrava Tom Cruise e Brad Pitt em uma luta cinematográfica em um telhado. O vídeo, totalmente criado por IA, apresentava rostos, vozes e movimentos tão naturais que levou muitos usuários a acreditarem se tratar de uma cena real.
O vídeo foi compartilhado por Alex Grankin no X (antigo Twitter), alertando para o risco de manipulação em massa e desinformação eleitoral. O exemplo ilustrou quão perigoso o uso ilimitado de IA pode ser quando combina realismo extremo e ausência de regulamentação.
Reação de Hollywood e sindicatos
A Motion Picture Association (MPA), representando nomes como Netflix, Warner e Paramount, classificou o sistema da ByteDance como uma “biblioteca pirata automatizada”. Os representantes da Disney afirmam que as ferramentas tratam obras autorais como se fossem “figuras de domínio público”.
Gabriel Miller, diretor de propriedade intelectual da Paramount, destacou em carta enviada à ByteDance que os vídeos podem configurar concorrência desleal, já que o sistema replica performances humanas com custo praticamente nulo. O sindicato de artistas SAG-AFTRA endossou o alerta, acusando a plataforma de ameaçar a subsistência de dubladores, atores e animadores.
Resposta da ByteDance às acusações
A ByteDance divulgou uma resposta oficial à BBC, na qual afirmou “respeitar os direitos de propriedade intelectual” e prometeu implementar medidas para reforçar a moderação de conteúdo. No entanto, a empresa não explicou como pretende evitar que usuários abusem das ferramentas nem se removerá os vídeos infratores que circulam em plataformas como o TikTok.
Antes mesmo da polêmica, a companhia já havia restringido o upload de fotos de pessoas reais, mas o Seedance 2.0 mostrou ser capaz de contornar essas barreiras ao recriar rostos e vozes de celebridades com base apenas em descrições textuais. Essa capacidade reacendeu debates sobre ética e consentimento digital.
Repercussão global e impacto regulatório
O governo do Japão anunciou a abertura de uma investigação independente contra a ByteDance após identificações de conteúdo de animes recriados por IA circulando em larga escala nas redes sociais. O episódio elevou o caso a um nível diplomático, com autoridades japonesas e norte-americanas discutindo possíveis sanções conjuntas e novos padrões internacionais para IA generativa.
Para especialistas, a controvérsia reflete o dilema contemporâneo entre inovação e direito autoral. Enquanto as IAs ampliam a criatividade e democratizam o audiovisual, também desafiam os limites legais e éticos da autoria. Caso o processo avance, pode redefinir o equilíbrio entre propriedade intelectual e inteligência artificial comercial.
Disney reforça aposta em parcerias legais de IA
Enquanto acusa a ByteDance de pirataria, a Disney segue ampliando seus usos oficiais de IA. Em 2025, a empresa firmou um acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI para utilização controlada de 200 personagens da marca em aplicações como o mecanismo Sora. O objetivo é permitir experiências interativas no Disney+, sob rígido controle de direitos autorais e supervisão humana.
“A tecnologia deve expandir o potencial criativo, não eliminá-lo. O uso ético da IA precisa ser garantido por acordos formais”, declarou um porta-voz da Disney.
Perguntas frequentes sobre o caso Disney vs Seedance 2.0
O que é a IA Seedance e como ela funciona?
A Seedance é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela ByteDance que gera vídeos hiper-realistas com base em descrições textuais. Seu modelo de aprendizado profundo utiliza dados visuais e sonoros de produções existentes, o que levanta questões sobre direitos autorais e consentimento.
Por que Disney e Paramount acusam a ByteDance de pirataria?
Os estúdios alegam que as IAs Seedance e Seedream copiam personagens e universos de franquias consagradas, como Marvel e South Park, sem autorização. Segundo documentos, a tecnologia reproduz vozes, rostos e cenários de forma idêntica às produções originais.
A ByteDance pode ser processada internacionalmente?
Sim. O caso pode gerar ações simultâneas nos Estados Unidos, Japão e União Europeia. A extensão da responsabilidade dependerá de provas de treinamento e do uso comercial dos conteúdos gerados.
A Disney utiliza IA em suas próprias produções?
Sim. Em 2025, a Disney firmou um acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI para usar personagens licenciados em ferramentas de IA como o Sora, mas sob controle e autorização oficial.
Considerações finais
O embate entre Disney, Paramount e ByteDance escancara o futuro nebuloso da inteligência artificial no entretenimento. Enquanto a criação por IA avança em velocidade inédita, os limites éticos e legais ainda se formam. A batalha judicial promete definir o que será considerado arte, autoria e pirataria na era dos algoritmos.

