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O “Grande Firewall” britânico: Reino Unido prepara lei estilo China para restringir internet a menores

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O governo do Reino Unido deu início a um dos mais polêmicos debates sobre liberdade e segurança digital da década. O país avalia uma lei que pode proibir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, seguindo um modelo de controle comparado ao da China. A proposta, em consulta pública, pretende redesenhar completamente a forma como jovens britânicos interagem com o mundo digital.

O que diz a proposta britânica

Segundo o documento apresentado pelo Ministério de Cultura, Mídia e Esporte, a Lei de Segurança Online será atualizada para exigir que plataformas identifiquem, limitem e bloqueiem o uso de redes sociais por menores de 16 anos. Ela também determinará que empresas eliminem recursos considerados viciantes, incluindo o “scroll infinito” e recompensas diárias em aplicativos e jogos.

O governo argumenta que essas medidas são necessárias para combater o vício digital, o cyberbullying e a exposição de crianças a conteúdos inadequados. Críticos, no entanto, alertam para o risco de instaurar uma forma de vigilância estatal sobre a vida digital semelhante à praticada na China.

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Adolescentes usando smartphones em Londres, centro do debate da Lei de Segurança Online
A iniciativa pretende proteger jovens contra o uso abusivo de plataformas digitais.

Inspiração na Austrália e paralelos com a China

As medidas propostas no Reino Unido ecoam iniciativas recentes na Austrália e na China. Em 2025, o governo australiano ordenou à Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, o encerramento de mais de 550 mil contas de menores de idade após auditorias de proteção infantil. Já a China mantém há anos um rígido controle sobre o tempo de tela, limitando adolescentes a apenas três horas semanais de jogos online.

No caso britânico, o modelo de supervisão pode se estender ainda mais. O projeto de lei prevê até mesmo a proibição de VPNs para menores, bloqueando o acesso a plataformas estrangeiras e dificultando o drible das restrições por parte dos jovens. Outra proposta é o banimento total de smartphones em escolas públicas e privadas.

Big Techs na mira de Londres

Gigantes como Meta, Google e Apple já reagiram com preocupação. A proposta inclui novas exigências de design para todas as plataformas, impondo restrições severas à coleta de dados e monitoramento de comportamento de usuários com menos de 18 anos. Caso as empresas não cumpram as regras, poderão ser bloqueadas ou multadas em até 10% de seu faturamento global anual.

Há também um ponto de atrito técnico e político. O Reino Unido defende que aplicativos de mensagens – como WhatsApp e Signal – forneçam acesso ao conteúdo criptografado em investigações envolvendo crimes digitais ou assédio. A Apple já manifestou severas restrições à proposta, chegando a remover recursos de privacidade de versões anteriores do iMessage no país.

O debate ético e social no Reino Unido

Cientistas sociais e especialistas em educação digital destacam que a nova lei poderia mudar radicalmente a maneira como adolescentes se conectam e aprendem online. Enquanto grupos de pais e psicólogos apoiam a iniciativa como forma de proteção, ativistas de direitos digitais alertam para o risco da formação de uma geração supervisionada em tempo integral pelo Estado.

Organizações como a Open Rights Group e a Privacy International classificaram a medida como “excessiva” e alertam que ela pode estabelecer um precedente perigoso de censura em nome da segurança.

Perspectivas e próximos passos

O texto do projeto ainda está em fase de consulta e pode ser modificado antes de ser levado à votação. Caso aprovado, as regras entrarão em vigor 12 meses após a sanção parlamentar. As plataformas terão que provar mecanismos de verificação de idade e transparência de algoritmos, além de auditorias anuais obrigatórias.

Enquanto isso, o governo discute incentivos para tecnologias de detecção de idade baseadas em inteligência artificial, tema que divide a comunidade técnica por questões de privacidade e precisão dos sistemas.

Impacto Global na nova lei digital britânica

A proposta britânica tende a influenciar legislações em toda a Europa. Países como França e Alemanha já estudam políticas semelhantes, e o Parlamento Europeu discute uma Lei de Proteção Digital Infantil com base em modelos ocidentais inspirados nas restrições asiáticas.

Perguntas frequentes sobre a nova lei digital britânica

  1. Quando a lei britânica de restrição digital deve entrar em vigor?

    Se aprovada, entrará em vigor 12 meses após a sanção no Parlamento. As Big Techs terão esse período para adaptar sistemas de verificação e restrição de conteúdo.

  2. Menores poderão usar VPN para acessar as redes sociais?

    O texto propõe o bloqueio de VPNs para menores, tornando ilegal o uso desses serviços como forma de contornar as restrições.

  3. Quais redes sociais serão mais impactadas?

    TikTok, Instagram, X (Twitter) e YouTube terão que implementar novos controles de idade, eliminar sistemas de rolagem infinita e limitar recompensas gamificadas.

  4. Há apoio popular à medida?

    Pesquisas iniciais indicam que 62% dos pais britânicos apoiam restrições às redes sociais para menores, embora 47% temam censura excessiva.

  5. O Reino Unido vai adotar modelo idêntico ao chinês?

    Apesar das semelhanças, o governo britânico promete manter princípios democráticos e debate público — sem controle total de acesso à internet.

Considerações finais

O projeto de lei britânico representa um divisor de águas na forma como o Ocidente lida com a relação entre tecnologia, juventude e privacidade. Se, por um lado, reforça a necessidade de proteger menores, por outro reacende discussões sobre até onde o Estado deve interferir na conexão humana com o mundo digital. A grande questão que permanece é: até onde vai a proteção — e onde começa o controle?

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.