Rússia tenta bloquear WhatsApp e Telegram em nova ofensiva digital
O governo russo deu mais um passo em sua campanha de controle sobre os meios de comunicação digitais ao tentar bloquear completamente o WhatsApp e o Telegram. A medida da Rússia tenta bloquear WhatsApp, que vem sendo descrita como uma cortina digital, visa restringir o acesso a plataformas não subordinadas às autoridades locais, ampliando a crescente censura na internet do país.
Tabela de conteúdos
Roskomnadzor remove domínios do sistema nacional
De acordo com a agência estatal Roskomnadzor, os domínios whatsapp.com e web.whatsapp.com foram excluídos do Sistema Nacional de Nomes de Domínio (DNS) sob a justificativa de combater crimes e fraudes digitais. Essa exclusão técnica torna o serviço inacessível para usuários comuns, a menos que utilizem VPNs ou servidores de DNS externos.
Enquanto a manobra inicialmente parecia apenas uma limitação parcial, relatórios recentes indicam que medidas mais duras estão sendo aplicadas para impedir qualquer forma de conexão com o app. A ação reflete a política do Kremlin de fortalecer o controle sobre os fluxos de informação internos e limitar a comunicação transfronteiriça.

Reação do WhatsApp: “um retrocesso que põe em risco a segurança dos cidadãos”
Em postagem no X (antigo Twitter), o WhatsApp descreveu o bloqueio como um “retrocesso” que ameaça a segurança dos cidadãos russos, ressaltando que continuará tentando manter os usuários conectados “por todos os meios possíveis”. A empresa, que pertence à Meta Platforms, é rotulada desde 2022 como uma “organização extremista” na Rússia — categoria que facilita ações legais e censura permanente.
Telegram também sofre restrições e lentidão forçada
Na mesma semana, o serviço Telegram também enfrentou redução artificial da velocidade de conexão, tática conhecida como throttling. O objetivo seria forçar os cidadãos a migrarem para o aplicativo MAX, o mensageiro oficial controlado pelo Kremlin e desenvolvido pela VK.

O criador do Telegram, Pavel Durov, afirmou que as medidas fazem parte de uma tentativa oficial de centralizar a comunicação digital. Segundo ele, “a Rússia está promovendo um ambiente onde o único canal de comunicação permitido é o controlado pelo governo”.
MAX: a alternativa ‘segura’ do Kremlin
O aplicativo MAX foi introduzido em setembro de 2025 como obrigatório em todos os dispositivos vendidos na Rússia. Apresentado como solução “segura e nacional”, o app é integrado à infraestrutura do governo e promete comunicação criptografada e livre de espionagem estrangeira.
No entanto, especialistas em privacidade e tecnologia, incluindo analistas citados pelo Politico, denunciaram falhas graves no sistema de criptografia do MAX, além da coleta intensiva de dados e permissões amplas de acesso por parte de agências estatais. Para críticos, trata-se de uma ferramenta centralizadora que enfraquece a liberdade de expressão digital e substitui a privacidade por vigilância estatal.
VPNs ainda permitem acesso — por enquanto
Apesar do bloqueio, muitos russos ainda conseguem se comunicar via VPNs e servidores internacionais. No entanto, até esses recursos vêm sendo restringidos: em 2025, o governo exigiu que a Apple removesse dezenas de aplicativos de VPN da App Store local, tornando o acesso criptografado cada vez mais difícil.
A censura digital na Rússia segue um padrão semelhante ao observado na China, com o fechamento gradual de ferramentas estrangeiras e substituição por equivalentes nacionais. Analistas alertam que a tendência é de isolamento informacional, em que notícias, mensagens e opiniões são filtradas e supervisionadas pelo Estado.
“A Rússia está se transformando em um ecossistema digital isolado, o que representa um retrocesso perigoso para a liberdade online global.”
Analista de ciberpolítica da Universidade de Helsinque
Declaração oficial e possíveis retomadas
O porta-voz presidencial Dmitry Peskov afirmou que o retorno do WhatsApp poderia ser discutido caso a Meta decida cumprir integralmente as legislações nacionais — o que incluiria cedência de dados e localização de servidores em território russo.
Observadores internacionais avaliam que essa exigência é praticamente impossível, dado que as políticas de privacidade do WhatsApp entram em conflito direto com tais demandas. Caso mantenha as restrições, a Rússia pode provocar um êxodo digital ainda maior, com usuários migrando para sistemas criptografados e descentralizados.
Rússia tenta bloquear WhatsApp: Repercussões globais
Governos ocidentais e organizações de direitos humanos já classificaram o bloqueio como uma violação à liberdade de expressão. A Amnesty International e a Human Rights Watch publicaram comunicados condenando a escalada autoritária no controle da internet russa.
Para os russos comuns, a perda de comunicação com familiares no exterior e redes profissionais impacta diretamente a vida cotidiana, dificultando até práticas básicas como autenticações de dois fatores e serviços financeiros online baseados em mensageiros.
Perguntas Frequentes sobre Rússia tenta bloquear WhatsApp e Telegram
Por que a Rússia bloqueou o WhatsApp e o Telegram?
O governo russo alega motivos de segurança e combate a fraudes, mas especialistas afirmam que o objetivo real é consolidar o controle sobre a comunicação digital e limitar a influência de empresas estrangeiras.
É possível usar WhatsApp e Telegram na Rússia após o bloqueio?
Sim, ainda é possível acessar os aplicativos usando VPNs ou servidores DNS internacionais. No entanto, o governo vem restringindo também o uso dessas ferramentas.
O que é o aplicativo MAX?
Trata-se de um mensageiro nacional obrigatório em dispositivos russos, desenvolvido pela VK. Promete segurança digital, mas é acusado de permitir vigilância estatal e coleta de dados excessiva.
Considerações finais de Rússia tenta bloquear WhatsApp e Telegram
O bloqueio do WhatsApp e do Telegram na Rússia representa mais do que um embate tecnológico — é um símbolo da luta entre liberdade digital e controle estatal. À medida que o país se distancia das redes globais, a sociedade civil russa enfrenta um futuro de comunicação cada vez mais supervisionada. Enquanto usuários buscam refúgios virtuais por meio de VPNs e mensageiros alternativos, a batalha pela liberdade online no leste europeu está longe de terminar.

