SSDs ficam até 16x mais caros que HDs por causa da IA
A alta demanda por aplicações de inteligência artificial (IA) vem provocando uma escalada sem precedentes nos preços de unidades de estado sólido (SSDs). De acordo com o mais recente relatório da VDURA, empresa especializada em sistemas de armazenamento de alto desempenho, os SSDs corporativos estão até 16,4 vezes mais caros que os discos rígidos convencionais (HDs) no primeiro trimestre de 2026.
O impacto da IA no mercado de SSDs
Desde o final de 2025, o avanço da IA generativa tem levado gigantes de tecnologia como Microsoft, Google e Meta a construírem e expandirem massivamente data centers dedicados ao processamento de grandes modelos de linguagem. Essas operações exigem não apenas enormes quantidades de GPUs, mas também infraestrutura ultrarrápida de armazenamento, alimentando uma procura sem igual por SSDs NVMe de alta capacidade e desempenho.
Segundo a VDURA, um SSD TLC com 30 TB custava cerca de US$ 3.062 no segundo trimestre de 2025. No mesmo período de 2026, o preço saltou para US$ 10.950, um aumento de 257%. Enquanto isso, os HDs tiveram elevação de 35%, o que evidencia a disparidade causada pela IA.
Custo bilionário para empresas
O relatório também aponta o impacto financeiro direto sobre as corporações. Uma solução de armazenamento com 25 PB e desempenho de 1.000 GB/s custava US$ 8,5 milhões em 2025 e agora chega a US$ 24,5 milhões. Essa diferença de custo afeta orçamentos de grandes players de nuvem e instituições que lidam com big data e IA, tornando os investimentos em infraestrutura cada vez mais desafiadores.
E o consumidor comum?
O aumento não se limita ao setor corporativo. Usuários domésticos e pequenas empresas já sentem o peso no bolso. Plataformas como eBay e Mercado Livre registram aumentos expressivos nos preços de módulos de RAM e SSDs para notebooks e desktops. Essa tendência vem sendo confirmada por pesquisas de mercado como as da IDC e da Counterpoint Research.
A IDC prevê que as vendas globais de PCs encolherão 4,9% em 2026, diretamente devido à alta no preço dos componentes de memória e armazenamento. “O mercado enfrenta uma tempestade perfeita: escassez de chips, aumento da demanda por IA e pressão inflacionária global”, destaca o relatório da instituição.
Demanda impulsionada pelos data centers de IA
Estima-se que data centers de IA consumirão cerca de 70% da produção global de memórias em 2026. Essa previsão alarmante já afeta todos os segmentos de tecnologia, de smartphones a servidores corporativos. Grandes fornecedores como Samsung, SK Hynix e Micron têm redirecionado linhas de produção para atender à demanda de IA, deixando escassos os chips destinados ao mercado de consumo.
De acordo com a VDURA, essa migração de prioridades está criando uma “pressão sistêmica” que deve manter os preços elevados pelo menos até 2027. Essa tendência reforça previsões anteriores da própria Micron, que estima normalização apenas em 2028.
Como os fabricantes estão reagindo
Empresas de hardware estão agindo em múltiplas frentes. A Western Digital, por exemplo, anunciou a reestruturação de seus produtos SSD sob a marca SanDisk Optimus. Já a Seagate e a Toshiba expandem a produção de HDs de alta densidade como alternativa mais econômica a curto prazo.
Enquanto isso, integradores de sistemas e fabricantes de notebooks estudam estratégias para mitigar o impacto ao consumidor, oferecendo modelos híbridos com armazenamento duplo (HD + SSD) e tecnologias de caching inteligente para equilibrar custo e desempenho.
Perspectivas para 2026 e além
Mesmo com a pressão sobre os preços, a demanda por SSDs não deve recuar. Pelo contrário, o crescimento contínuo da IA generativa, somado à evolução de sistemas operacionais otimizados para armazenamento rápido, manterá o setor aquecido. Analistas da Reuters e do portal Block & Files destacam que o período de estabilidade nos custos só deve começar após a saturação da infraestrutura global de IA, prevista entre 2027 e 2028.
Pontos-chave
- SSDs corporativos estão até 16,4x mais caros que HDs em 2026;
- Demanda por IA consome 70% da produção mundial de memória;
- HDs permanecem opção mais acessível no curto prazo;
- Preço dos componentes deve se estabilizar apenas em 2028.
Perguntas Frequentes sobre SSDs estão mais caros por causa de IA
Por que os SSDs estão mais caros que HDs?
A demanda por aplicações de inteligência artificial aumentou expressivamente o consumo de SSDs em data centers, reduzindo a oferta para outros setores e elevando os preços.
Como isso impacta o consumidor comum?
Usuários domésticos terão que pagar mais caro por upgrades de SSD e RAM. O preço médio desses componentes deve continuar alto até 2027.
Os preços devem cair em breve?
Analistas da Micron e da VDURA indicam estabilização apenas a partir de 2028, quando a produção global acompanhará a demanda de IA.
Há alternativas mais baratas?
HDs de alta capacidade continuam sendo opções economicamente viáveis, embora com menor desempenho em comparação aos SSDs.
Considerações finais
O salto nos preços de SSDs motivado pela inteligência artificial revela uma profunda transformação na infraestrutura tecnológica global. Do armazenamento corporativo aos notebooks domésticos, os efeitos se espalham rapidamente, reforçando a importância estratégica das memórias no ecossistema digital moderno. Até que a indústria equilibre oferta e demanda, a mensagem é clara: armazenamento rápido custará caro — e a IA é a principal responsável.
Fontes: Block & Files e Reuters

