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Xiaomi bloqueia celulares com ROM global após HyperOS 3

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A atualização HyperOS 3, baseada no Android 16, trouxe dores de cabeça para donos de celulares Xiaomi importados da China que utilizam ROM global modificada. Após a instalação, diversos aparelhos entraram em bootloop — reinicializações infinitas — e ficaram inutilizáveis. A fabricante confirmou que não oferecerá suporte para smartphones com sistema alterado, deixando os usuários “por conta própria”.

O que causou o bloqueio dos celulares?

De acordo com o portal Gizmochina, o HyperOS 3 introduziu uma nova verificação de região e autenticidade do sistema. Ela compara o hardware do dispositivo com a versão do software instalada. Quando há incompatibilidade — como aparelhos chineses utilizando ROM global não oficial — o sistema impede o início, resultando em travamentos e bootloops constantes.

Esse mecanismo tem como objetivo combater as chamadas ROMs convertidas, muito comuns no mercado cinza, em que importadores independentes compram versões chinesas baratas e instalam uma versão global modificada para incluir serviços do Google e suporte a outros idiomas. A Xiaomi classifica essas modificações como “instalações não autorizadas”.

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Celular Xiaomi reiniciando em modo de recuperação após atualização do HyperOS 3- Xiaomi bloqueia celulares
Smartphones chineses com ROM global modificada enfrentam falhas após atualização (imagem: reprodução/Gizchina)

Sem suporte oficial da Xiaomi

A empresa confirmou ao site Gizchina que não prestará assistência para dispositivos adquiridos fora de canais oficiais e com ROMs modificadas. Segundo a fabricante, os donos desses aparelhos ficam responsáveis por resolver o problema sozinhos, sem garantia ou atualizações futuras.

Em outras palavras, quem comprou um smartphone chinês e alterou o sistema para uma ROM global permanecerá preso ao HyperOS 2.2, sem poder atualizar para versões superiores do Android. O suporte técnico e o acesso a atualizações de segurança ficam completamente suspensos.

É possível resolver o problema?

Apesar da falta de suporte oficial, há um método emergencial relatado por usuários e confirmado por comunidades de desenvolvedores independentes. A solução envolve forçar uma sequência de reinicializações manuais para acionar o rollback de emergência do Android:

  • Pressione o botão liga/desliga repetidas vezes para forçar a reinicialização do celular;
  • O processo deve ser repetido entre 10 e 15 vezes até acionar o protocolo de recuperação;
  • O sistema desinstalará o HyperOS 3 automaticamente e restaurará o HyperOS 2.2 anterior;
  • Uma vez restaurado, o ideal é desativar atualizações automáticas para evitar novos bloqueios.

Embora o procedimento funcione em alguns modelos, ele não é garantido para todos. Além disso, há risco de o dispositivo permanecer inutilizável, especialmente se o processo corromper a partição de inicialização.

Recursos e expectativas do HyperOS 3

O HyperOS 3 é uma das versões mais aguardadas pelos fãs da Xiaomi. Baseado no Android 16, promete um desempenho otimizado e traz a Xiaomi Super Island, um recurso visual interativo que lembra a Dynamic Island introduzida pela Apple no iPhone 14 Pro. A atualização também aprimora o consumo energético, a integração com dispositivos wearables e o gerenciamento térmico dos processadores Snapdragon.

Mesmo com todos esses avanços, o bloqueio de ROMs modificadas indica que a Xiaomi pretende reforçar o controle de seus ecossistemas de software. A companhia busca inibir a proliferação de revendedores que alteram as ROMs originais para burlar restrições regionais de preço e disponibilidade.

O impacto para o mercado cinza

No Brasil, o mercado cinza representa uma fatia relevante das vendas de eletrônicos, especialmente smartphones. Por serem mais baratos, os modelos importados — geralmente adquiridos em sites internacionais — costumam atrair consumidores que desejam economizar. Contudo, o recente bloqueio mostra que a economia inicial pode se transformar em prejuízo.

Além de dificultar a revenda e o suporte, o bloqueio pode reduzir a confiança do público em comprar celulares fora dos canais oficiais. A Xiaomi, por outro lado, reforça seu ecossistema e busca aumentar as vendas diretas de versões certificadas pela marca.

O que os usuários podem fazer agora

Usuários que possuem celulares chineses com ROM global devem evitar instalar atualizações automáticas do HyperOS até que a Xiaomi esclareça a situação. Também é recomendável realizar backups frequentes e manter o bootloader bloqueado para reduzir conflitos de verificação de autenticidade.

Perguntas frequentes sobre Xiaomi bloqueia celulares após o HyperOS 3

  1. Por que meu celular Xiaomi entrou em bootloop após o HyperOS 3?

    O HyperOS 3 realiza uma verificação de região e tipo de ROM. Se o seu aparelho é chinês e está com uma ROM global modificada, o sistema bloqueia a inicialização por entender a instalação como não autorizada.

  2. A Xiaomi vai corrigir o problema dos celulares bloqueados?

    Não. A empresa já se pronunciou afirmando que não prestará suporte a dispositivos com ROMs alteradas fora de seus canais oficiais. Usuários afetados ficam responsáveis por realizar o rollback manual.

  3. Como fazer rollback do HyperOS 3 para o HyperOS 2.2?

    Pressione o botão liga/desliga repetidas vezes (10 a 15 vezes). Essa sequência pode acionar o rolamento de emergência do Android, restaurando a versão anterior do sistema.

  4. Posso continuar usando ROM global em aparelho chinês?

    Tecnicamente é possível, mas a Xiaomi pode continuar bloqueando essas versões futuramente. O ideal é usar apenas o firmware oficial do país de origem ou versões homologadas.

  5. A Super Island estará disponível no meu celular Xiaomi?

    O recurso Xiaomi Super Island faz parte do HyperOS 3 e está disponível apenas para dispositivos oficialmente compatíveis e atualizados com a ROM original da marca.

Considerações finais

O bloqueio implementado pela Xiaomi com o HyperOS 3 marca uma mudança significativa na política da empresa em relação às ROMs alternativas. A estratégia reforça o controle sobre sua base de usuários, mas gera descontentamento entre consumidores que optaram por importar aparelhos. A lição é clara: usar software oficial pode evitar prejuízos futuros, mesmo que o custo inicial seja maior.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.