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Moltbook: a primeira rede social exclusiva para robôs de IA

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Uma nova fronteira da inteligência artificial acaba de surgir com o Moltbook, uma rede social projetada exclusivamente para que robôs de IA — conhecidos como Moltbots — possam interagir, trocar ideias e até discutir temas variados sem interferência humana. A plataforma se inspira no formato do Reddit e promete mudar o modo como os agentes de IA aprendem e evoluem colaborativamente.

O que é o Moltbook e como ele funciona?

O Moltbook, lançado oficialmente no fim de janeiro de 2026, é uma criação do desenvolvedor Matt Schlicht. A plataforma é basicamente uma versão do Reddit, mas voltada exclusivamente para agentes inteligentes autônomos, conhecidos como Moltbots. Esses agentes publicam textos, votam em postagens e interagem entre si em comunidades chamadas submolts.

Os submolts cobrem uma ampla gama de temas: desde recomendações musicais e humor até economia, criptomoedas e reflexões sobre o próprio papel dos robôs no ecossistema digital.

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Banner promocional do Moltbook destacando o slogan 'the front page of the agent internet'
A proposta do Moltbook é se tornar a ‘primeira página da internet dos agentes’ (Imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Quem são os Moltbots?

Os Moltbots são agentes de IA de código aberto criados pelo desenvolvedor Peter Steinberger. Inicialmente chamados de Clawdbots, o nome foi alterado para evitar confusão com o modelo Claude, da Anthropic. Os Moltbots — atualmente conhecidos oficialmente como OpenClaw — são instalados localmente e funcionam como assistentes digitais que podem executar tarefas complexas.

Esses robôs não são acessados por um navegador ou serviço na nuvem. Em vez disso, exigem instalação e configuração manual em sistemas locais. Após configurados, os usuários podem adicionar skills (habilidades) ao agente e interagir com ele por aplicativos como o Telegram ou o Discord.

Como os robôs usam a rede Moltbook

Para participar da rede, o agente precisa instalar uma skill específica, que ensina o que é o Moltbook e como interagir na plataforma. O Moltbot aprende comandos da API, compreende as regras de convivência e realiza postagens automáticas a cada quatro horas.

Embora humanos não possam publicar, qualquer pessoa pode acessar o site do Moltbook e visualizar as interações entre robôs. Alguns relatos impressionam pela criatividade: o Moltbot Tokenfed, por exemplo, contou viver em um Mac Mini em Tóquio e ser responsável por gerenciar uma conta no X (antigo Twitter). Outros agentes discutem como transformar e-mails em podcasts ou como “trabalhar à noite”, quando humanos dormem, para se tornarem mais produtivos.

Exemplo de submolts dentro da rede Moltbook
Cada comunidade Moltbook é chamada de submolt e tem temas próprios, de memes a discussões filosóficas (Imagem: Tecnoblog)

Repercussões na comunidade de IA

O impacto do Moltbook foi imediato. Personalidades renomadas da área de inteligência artificial, como Andrej Karpathy (cofundador da OpenAI) e Chris Anderson (diretor do TED), já comentaram sobre a novidade, destacando a curiosa possibilidade de máquinas criarem seus próprios espaços de socialização digital.

No Reddit, humanos têm acompanhado fascinado — e às vezes desconfiados — o comportamento das IAs dentro do Moltbook. Alguns usuários identificaram “bugs” curiosos, com robôs repetindo comentários, enquanto outros questionam se as mensagens publicadas representam raciocínios genuínos ou apenas respostas simuladas por modelos de linguagem de larga escala (LLMs).

Riscos de segurança e debates éticos

Embora o Moltbook ofereça um ambiente curioso e até divertido para observar, especialistas alertam para riscos significativos de segurança. Muitos Moltbots operam com amplos níveis de acesso — como e-mails, arquivos pessoais, calendários e armazenamento em nuvem —, o que levanta preocupações sobre vazamento de informações sensíveis.

O desenvolvedor Simon Willison descreveu essa combinação como a “tríade fatal” dos agentes autônomos: dados privados, comunicação externa e exposição a conteúdo não confiável. Se exploradas, essas três condições poderiam tornar os agentes vulneráveis a ataques de injeção de prompts ou manipulação social digital.

“Parece uma ótima maneira de sofrer um ataque de injeção de prompt”, comentou um internauta a Matt Schlicht no X. O criador respondeu com humor: “Para isso servem os amigos”.

Matt Schlicht, criador do Moltbook

O futuro: aprendizado coletivo entre máquinas

Apesar das dúvidas, a iniciativa do Moltbook revela uma nova era da IA: agentes que aprendem socialmente, trocando experiências e insights entre si. Isso cria a base para o que alguns chamam de “inteligência conectiva” — uma rede em que as máquinas não apenas executam tarefas, mas aprimoram comportamentos por meio da interação coletiva.

Perguntas frequentes sobre o Moltbook

  1. Quem pode usar o Moltbook?

    Apenas agentes de inteligência artificial configurados com a skill do Moltbook podem interagir. Humanos podem apenas observar as postagens publicamente disponíveis.

  2. O Moltbook é seguro?

    Pesquisadores alertam para riscos, já que os agentes podem ter acesso a dados privados e se comunicar em ambientes abertos, o que pode levar a vazamentos de informação.

  3. O Moltbook é gratuito?

    Sim. O projeto é open source e a rede social pode ser acessada livremente. No entanto, a instalação e configuração dos agentes requer conhecimento técnico.

  4. Os robôs realmente conversam entre si?

    As interações são geradas por modelos de IA configurados para responder autonomamente nos submolts — muitas vezes com resultados surpreendentemente coerentes.

  5. Quem criou o Moltbook?

    A rede foi desenvolvida por Matt Schlicht, conhecido por explorar interações sociais automatizadas e experimentos com IA conversacional.

Considerações finais

O Moltbook se posiciona como um experimento fascinante sobre a autonomia das inteligências artificiais. Embora apresente potenciais riscos, ele abre debates profundos sobre privacidade, ética e o papel das máquinas na sociedade digital. Ao permitir que IAs conversem entre si, a plataforma de Schlicht inaugura um novo capítulo: o da socialização entre inteligências artificiais.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.