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Ataques de ransomware crescem 50%, mas resgates atingem menor nível histórico

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Um novo relatório global da Chainalysis revelou uma tendência paradoxal no cenário da cibersegurança: enquanto o número de ataques de ransomware cresceu 50% em relação a 2024, os pagamentos de resgate caíram para o menor nível já registrado — apenas 28% das vítimas optaram por pagar para reaver seus dados. O levantamento reforça que as organizações estão mais preparadas para lidar com ataques e menos dispostas a financiar o crime cibernético.

Crescimento de campanhas e queda nos pagamentos

Segundo a Chainalysis, o aumento de ataques atingiu proporções sem precedentes, superando incidentes de 2024 e marcando um cenário de risco digital ampliado para governos, empresas e usuários comuns. Apesar disso, o percentual de vítimas que pagaram o resgate teve uma queda expressiva, de 62,8% em 2024 para 28% em 2025.

O estudo destaca que essa redução vem sendo observada nos últimos quatro anos, à medida que as organizações implementam planos de resposta a incidentes mais robustos e se beneficiam da regulamentação contra pagamentos ilegais a grupos cibercriminosos. A estratégia de endurecimento levou os atacantes a explorar novos modelos, como o aumento do valor cobrado por vítima.

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Valores maiores e ataques mais direcionados

Apesar da queda nas taxas de pagamento, o relatório revela que o valor médio dos resgates subiu 368%, passando de US$ 12.738 para US$ 59.556. Isso aponta para uma mudança estratégica entre os criminosos digitais, que têm concentrado esforços em alvos corporativos de maior porte e em infraestruturas críticas, onde a probabilidade de retorno financeiro é mais alta.

Além disso, estima-se que o total de pagamentos de ransomware durante 2025 possa atingir US$ 900 milhões, valor expressivo impulsionado por investigações em andamento e incidentes ainda não totalmente contabilizados. O relatório também identificou os países mais afetados: Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Reino Unido.

“A queda histórica no número de pagamentos mostra que a consciência sobre riscos digitais e a colaboração entre setores evoluíram de forma significativa”, reforça a equipe da Chainalysis.

Relatório de Cibersegurança 2026 – Chainalysis

Por que as vítimas estão pagando menos?

O declínio não é apenas uma questão econômica. Entre os principais fatores apontados estão o aprendizado obtido com incidentes anteriores, o avanço das soluções de backup e recovery e o aumento da intervenção governamental para impedir que pagamentos reforcem a economia do cibercrime.

  • Melhoria na resposta a incidentes: mais empresas implementaram protocolos rápidos e treinamentos constantes;
  • Regulamentações internacionais: vários países endureceram leis que punem o envio de fundos a grupos sancionados;
  • Fragmentação do mercado criminoso: tensões internas e falhas técnicas reduziram a capacidade de operação de grupos consolidados.

A empresa também relacionou a redução de pagamentos à profissionalização das equipes de resposta e à proliferação de fornecedores de cyber insurance (seguros cibernéticos) que já cobrem consultoria e restauração sem financiar o resgate.

O avanço do modelo Ransomware-as-a-Service (RaaS)

Outro destaque do relatório foi o fortalecimento do modelo Ransomware-as-a-Service (RaaS), comparado à “uberização do crime digital”. Nele, desenvolvedores disponibilizam ferramentas prontas para afiliados executarem ataques e dividem lucros. A dinâmica, embora facilite a entrada de novos agentes, também gera instabilidade e competição interna, o que tem contribuído para a queda geral na confiabilidade dos grupos criminosos.

Em 2025, foram identificadas novas variantes de ransomware, algumas delas projetadas com o uso de inteligência artificial. Embora ainda em fase experimental, essas ameaças demonstram o potencial de ataques automatizados mais sofisticados, com capacidade de se adaptar a defesas em tempo real.

Brasil segue entre os países mais afetados

O Brasil continua figurando entre os três países que mais sofrem com ataques de ransomware no mundo. De acordo com dados anteriores da Chainalysis e de órgãos locais de tecnologia, a combinação de infraestrutura defasada, ausência de investimentos em segurança e digitalização acelerada de empresas cria um ambiente fértil para ataques em larga escala.

Por isso, especialistas recomendam práticas como manter backups externos e atualizações constantes de sistemas. Além disso, é essencial desconfiar de e-mails e mensagens suspeitas, principais vetores de infecção.

Próximos desafios para o setor de cibersegurança

Apesar dos avanços, o estudo alerta que o ecossistema criminoso segue em transformação constante. A integração de IA e automação em campanhas de ransomware, combinadas a técnicas de engenharia social cada vez mais eficazes, exigem vigilância e inovação contínua das defesas corporativas.

Governos e empresas estão formando coalizões internacionais para fortalecer políticas de segurança e melhorar o compartilhamento de informações. Iniciativas como o International Ransomware Task Force atuam para rastrear fundos de resgate e desarticular grupos de hackers em diferentes jurisdições.


Destaque: queda histórica em pagamentos de ransomware

O dado de 28% de pagamentos marca o nível mais baixo já registrado. A queda reflete maior conscientização, reforço na legislação e eficácia das equipes de segurança corporativa.

Considerações finais

O crescimento dos ataques de ransomware em 2025 demonstra que, embora as defesas digitais estejam mais eficazes, a ameaça cibernética evolui rapidamente. A recusa crescente em pagar resgates é um sinal positivo, mas a escalada nos valores médios pagos mostra que o risco financeiro ainda é alto. Para o futuro, investimentos em inteligência artificial defensiva e colaborações globais serão decisivos para conter a próxima geração de ameaças digitais.

  1. Por que os pagamentos de ransomware estão diminuindo?

    A queda de pagamentos decorre da melhoria das políticas de cibersegurança, endurecimento das leis contra transferências a criminosos e do aumento da conscientização das empresas. Além disso, políticas de backup e resposta rápida reduzem a necessidade de pagamento.

  2. Qual foi o valor médio dos resgates em 2025?

    De acordo com a Chainalysis, o valor médio subiu 368%, chegando a US$ 59.556 por incidente. Esse aumento demonstra ataques mais seletivos e voltados a empresas com maior capacidade de pagamento.

  3. O Brasil ainda é um dos países mais afetados por ransomware?

    Sim. O Brasil permanece entre os três líderes globais em número de ataques, com alvos concentrados principalmente em empresas de médio porte, órgãos públicos e instituições financeiras.

Fonte: Bleeping Computer

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.