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Escassez de chips de memória deve seguir até 2030 com foco em IA

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A crise mundial de semicondutores, especialmente dos chips de memória DRAM e HBM, promete estender-se até o final da década. Segundo o jornal japonês Nikkei Asia, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão priorizando a demanda por componentes destinados a servidores de inteligência artificial, reduzindo a disponibilidade para PCs e smartphones convencionais. As previsões mais recentes indicam que o mercado só deve encontrar equilíbrio a partir de 2028 — ou até 2030 em alguns cenários pessimistas.

Crise sem alívio antes de 2028

Desde 2025, o setor de tecnologia sofre com a falta de componentes críticos. A produção de chips de memória não acompanha o crescimento do setor de inteligência artificial, que consome volumes cada vez maiores de HBM (High Bandwidth Memory). Essa demanda reposicionou as linhas de montagem das gigantes sul-coreanas e americanas, deixando de lado a produção de DRAM para o consumidor final.

Segundo estimativas, Samsung, SK Hynix e Micron detêm 90% do mercado de DRAM, mas o ritmo de expansão atual permitirá atender apenas 60% da demanda até o fim de 2027. A consultoria Counterpoint Research calcula que a produção precisa crescer 12% ao ano para normalizar, porém as previsões apontam apenas 7,5% de aumento. O diretor de pesquisa da empresa, MS Hwang, reforçou que “qualquer alívio virá apenas após 2028”.

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Chey Tae-won, presidente do Grupo SK, foi ainda mais direto ao afirmar que os gargalos de fornecimento podem arrastar-se até 2030. Segundo ele, a transição tecnológica impulsionada pela IA exigirá mais tempo e infraestrutura para equilibrar oferta e demanda global de chips de memória.

Interior de computador com placa-mãe e pentes de memória RAM
A normalização do mercado de hardware deve ocorrer apenas no fim da década (imagem: Erik G/Pexels)

IA concentra recursos e encarece mercado de consumo

O boom da inteligência artificial generativa pressiona especialmente os produtores de chips de alta largura de banda, usados em data centers da OpenAI, NVIDIA e de empresas que treinam modelos de linguagem avançados. Essa priorização reduz drasticamente o volume de componentes destinados a notebooks e celulares. O resultado: preços em alta para tudo que depende de memória RAM.

Entre janeiro e março de 2026, o preço médio dos módulos de RAM disparou cerca de 90% em relação ao trimestre anterior. A escassez elevou o custo de produção de eletrônicos, diminuindo as margens de lucro e forçando as marcas a repassar o aumento aos consumidores finais. Em especial, a IDC prevê uma queda de 13% nas vendas globais de smartphones neste ano.

Impacto direto no Brasil e em grandes fabricantes

O vice-presidente sênior da Samsung Brasil, Gustavo Assunção, alertou em entrevista que os eletrônicos vendidos no país devem ficar até 20% mais caros em 2026. A alta dos custos de memória impossibilita que o setor continue absorvendo as flutuações cambiais e logísticas sem aumento de preço. Gigantes como Dell e Lenovo já confirmaram que seus notebooks sofrerão reajustes globais.

A norte-americana Micron, pressionada pelas margens em queda, chegou a encerrar a produção sob a marca Crucial após quase 30 anos. A japonesa Kioxia, fabricante de NAND Flash, anunciou que novos investimentos estão condicionados ao desempenho do mercado. Até o PlayStation 6 pode sofrer atrasos devido à escassez de componentes, segundo rumores da indústria.

Projeções e desafios até o fim da década

Especialistas apontam que a indústria enfrenta desafios inéditos para equilibrar a demanda de IA e o consumo de massa. O cenário deve pressionar governos e empresas a investir em novas fábricas e tecnologias de litografia mais eficientes. Projetos de expansão em andamento nos Estados Unidos, Coreia do Sul e Taiwan pretendem reduzir a dependência de poucas fornecedoras líderes, além de fortalecer cadeias locais de suprimentos.

Entretanto, o cronograma é lento. A construção de uma planta de semicondutores costuma levar de três a cinco anos, e o investimento necessário supera dezenas de bilhões de dólares. Até lá, fabricantes menores continuarão sem acesso competitivo aos chips de última geração. Essa concentração pode intensificar a desigualdade tecnológica entre países emergentes e desenvolvidos.

Pontos-chave

  • Escassez de chips de memória deve persistir até 2028 ou 2030.
  • Samsung, SK Hynix e Micron dominam 90% do mercado global.
  • IA é o principal fator por trás do desvio de produção para HBM.
  • Preços de RAM subiram até 90% em apenas um trimestre.
  • Vendas de smartphones podem cair 13% globalmente.

Perguntas Frequentes sobre a escassez de chips de memória

  1. Por que está faltando memória RAM no mercado?

    A escassez ocorre porque as fabricantes estão direcionando suas fábricas para atender à crescente demanda por chips HBM usados em servidores de inteligência artificial, reduzindo a produção de memórias convencionais DRAM.

  2. Quando os preços das memórias devem cair?

    Especialistas estimam que a normalização só deve ocorrer a partir de 2028, quando novas fábricas entrarem em operação e o fornecimento de chips DRAM voltar ao equilíbrio.

  3. Como a escassez afeta o consumidor?

    A falta de chips aumenta o custo de produção de eletrônicos, levando a aumentos de preço em computadores, smartphones e consoles, com impacto estimado de até 20% no Brasil.

Considerações finais

A crise dos semicondutores, especialmente dos chips de memória, é um lembrete do quanto a indústria global se tornou dependente de poucos fornecedores e da crescente pressão exercida pela inteligência artificial sobre a infraestrutura tecnológica. Embora 2028 pareça distante, é para lá que convergem as esperanças de estabilização do mercado. Até lá, consumidores e fabricantes seguirão enfrentando altas de preços e limitações de produção em série.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.