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Ar-condicionado sem gás ou fluido avança na Europa

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A Europa começou a testar uma nova geração de ar-condicionado sem gás ou fluido, baseada em ligas metálicas, semicondutores, campos magnéticos e materiais sensíveis à pressão. A aposta surge em meio a ondas de calor mais frequentes, aumento da demanda por refrigeração e restrições ambientais aos gases fluorados usados em aparelhos convencionais. Segundo a Agência Internacional de Energia, até 2050 dois terços das residências no mundo poderão ter ar-condicionado, o que torna urgente reduzir consumo elétrico, vazamentos e emissões.

Em vez de circular fluidos químicos entre os estados líquido e gasoso, o ar-condicionado sem gás ou fluido usa mudanças físicas em materiais para transferir calor.

Por que a Europa quer resfriamento sem gases fluorados

A corrida pelo ar-condicionado sem gás ou fluido ganhou força porque grande parte da infraestrutura europeia foi projetada para reter calor, não para expulsá-lo. Casas, apartamentos e prédios antigos funcionavam bem em invernos frios, mas sofrem durante verões extremos. No fim de junho, regiões da Europa registraram temperaturas acima de 40°C, provocando aumento súbito na procura por aparelhos portáteis e ventiladores.

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Hoje, apenas cerca de 20% dos lares europeus usam ar-condicionado, contra aproximadamente 90% nos Estados Unidos. No Reino Unido, a adoção fica perto de 4%. Esse cenário deve mudar à medida que as ondas de calor se tornam mais longas e intensas. O desafio é ampliar o acesso ao resfriamento sem repetir o mesmo modelo poluente em escala continental.

Como funciona a refrigeração de estado sólido

A refrigeração de estado sólido elimina o uso de gás ou fluidos tradicionais. Em sistemas convencionais, substâncias químicas absorvem e liberam calor ao mudar de fase. O problema é que muitos desses gases, especialmente os fluorados, podem aquecer o planeta milhares de vezes mais que o dióxido de carbono quando escapam para a atmosfera.

No ar-condicionado sem gás ou fluido, a transferência térmica ocorre quando um material é esticado, comprimido, atravessado por corrente elétrica ou exposto a um campo magnético. A tecnologia ainda está em fase inicial, mas pesquisadores acreditam que ela pode elevar a eficiência energética e reduzir riscos ambientais.

  • Elastocalórico: resfria ao esticar e relaxar metais.
  • Termoelétrico: usa semicondutores e corrente elétrica.
  • Magnetocalórico: move calor com campos magnéticos.
  • Barocalórico: comprime cristais plásticos para liberar calor.
demonstrador elastocalórico com elementos de níquel-titânio para resfriamento
Demonstrador elastocalórico mostra elementos de níquel-titânio usados para gerar efeito de resfriamento.

Liga níquel-titânio é uma das apostas mais promissoras

Na Universidade de Saarland, na Alemanha, uma equipe liderada por Paul Motzki testa ligas de níquel-titânio que esfriam quando são tensionadas e liberadas. Esse processo, chamado de resfriamento elastocalórico, pode reduzir a temperatura interna em 5°C a 10°C, segundo os primeiros resultados citados pela reportagem original da TechSpot, com base em informações da Wired.

“A tecnologia pode levar a uma disrupção, até a uma mudança de paradigma, porque é muito diferente dos sistemas de resfriamento estabelecidos.”

Paul Motzki, pesquisador da Universidade de Saarland

O grupo trabalha com a empresa irlandesa Exergyn para desenvolver bombas de calor sem gás ou fluido. A expectativa é que as primeiras aplicações apareçam em edifícios novos nos próximos anos, onde a instalação pode ser integrada ao projeto desde o início. Se o desempenho se confirmar fora do laboratório, o ar-condicionado sem gás ou fluido poderá competir com equipamentos tradicionais em eficiência e impacto ambiental.

protótipo europeu de bomba de calor sem refrigerante em laboratório
Pesquisadores e startups europeias avaliam protótipos de bombas de calor sem gases gás ou fluido.

Startups testam semicondutores, magnetismo e pressão

Outras empresas também disputam espaço nesse novo mercado. A Mimic Systems desenvolve uma bomba de calor baseada em semicondutores, usando corrente elétrica para mover calor; um protótipo foi instalado em um apartamento em Vancouver. A alemã Magnotherm aposta no efeito magnetocalórico e planeja testar seus sistemas em uma rede de supermercados da Alemanha antes de avançar para climatização de ambientes.

No Reino Unido, a Barocal, derivada da Universidade de Cambridge, trabalha com cristais plásticos que liberam calor quando comprimidos. A companhia levantou US$ 10 milhões em investimento inicial, sinal de que fundos de tecnologia climática enxergam potencial comercial no ar-condicionado sem gás ou fluido, apesar dos riscos técnicos.

TecnologiaMaterial ou forçaStatus citado
ElastocalóricaLiga níquel-titânioTestes na Alemanha com Exergyn
TermoelétricaSemicondutoresProtótipo em apartamento
MagnetocalóricaCampos magnéticosTeste previsto em supermercado
BarocalóricaCristais plásticos comprimidosStartup britânica com seed funding

O obstáculo: provar escala, custo e confiabilidade

Apesar do entusiasmo, quase todas as soluções ainda são experimentais. O ar-condicionado sem gás ou fluido precisa demonstrar durabilidade, baixo ruído, manutenção simples, preço competitivo e operação eficiente em diferentes climas. Lindsay Rasmussen, que trabalha com startups climáticas na Third Derivative, resumiu o estágio atual ao dizer que as tecnologias são “promissoras, mas não comprovadas em escala”.

Também há dependência de fabricantes maiores. Sem parcerias industriais, materiais inovadores podem permanecer restritos a laboratórios, supermercados-piloto ou edifícios demonstrativos. A União Europeia, porém, aumentou a pressão regulatória: em 2024, decidiu avançar na eliminação gradual de gases fluorados. Fabian Voswinkel, analista de eficiência energética da IEA, afirmou à Wired que, nos próximos anos, aparelhos e bombas de calor com esses gases deixarão de ser vendidos na região.

Resfriar cidades exigirá mais que novos aparelhos

Especialistas alertam que a resposta não pode depender apenas de máquinas. A chamada “hierarquia do resfriamento” prioriza reduzir o calor antes de acionar sistemas mecânicos. Isso inclui sombreamento, ventilação cruzada, telhados refletivos, isolamento adequado, árvores urbanas e materiais que absorvem menos radiação solar.

Paris já expandiu uma rede de resfriamento distrital que usa água gelada circulando por tubulações subterrâneas para atender prédios públicos. Soluções assim podem reduzir picos de consumo elétrico e complementar o ar-condicionado sem gás ou fluido em áreas densas. A conclusão é clara: a Europa terá de combinar inovação tecnológica, planejamento urbano e adaptação de edifícios para enfrentar verões mais perigosos.


Perguntas Frequentes sobre ar-condicionado sem gás ou fluido

  1. O que é ar-condicionado sem refrigerante?

    É um sistema que remove calor sem gases químicos. Ele usa materiais sólidos, eletricidade, pressão ou magnetismo para gerar resfriamento.

  2. Essa tecnologia já está disponível para compra?

    Ainda não em grande escala. A maioria dos modelos está em testes, protótipos ou projetos-piloto com universidades, startups e empresas parceiras.

  3. Por que gases fluorados preocupam a União Europeia?

    Porque podem ter alto potencial de aquecimento global. Quando vazam, alguns gases impactam o clima muito mais que o dióxido de carbono.

  4. O resfriamento elastocalórico é eficiente?

    Resultados iniciais indicam boa eficiência. Testes com níquel-titânio sugerem redução de 5°C a 10°C, mas ainda falta validação comercial.

Considerações finais

O avanço do ar-condicionado sem gás ou fluido mostra que a climatização está entrando em uma fase de reinvenção. As alternativas com ligas metálicas, semicondutores, magnetismo e pressão ainda precisam provar escala, mas respondem a um problema real: resfriar casas e cidades sem ampliar emissões. Se políticas públicas, capital e indústria convergirem, a Europa poderá liderar uma mudança global na forma de enfrentar o calor extremo.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.