Criador de God of War critica Sons of Sparta e diz que ‘não recomenda’
O veterano desenvolvedor David Jaffe, conhecido mundialmente por ter criado a franquia God of War, manifestou sua insatisfação com o novo título da série, God of War: Sons of Sparta. Em um vídeo divulgado em seu canal oficial no YouTube, Jaffe afirmou categoricamente: “Não gostei. Não recomendo”.
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David Jaffe critica escolhas da Sony e da Santa Monica Studio
Jaffe, que ajudou a moldar o universo de Kratos no início dos anos 2000, mirou suas críticas diretamente nas decisões da Santa Monica Studio e da Sony. Segundo o criador, as escolhas feitas no desenvolvimento de Sons of Sparta refletem uma perda de identidade da série. O jogo, vendido a US$ 30, é descrito como um título que “se perde na própria pretensão”.
O novo capítulo da franquia foi lançado como um metroidvania ambientado na juventude de Kratos. A proposta era mostrar um lado diferente do personagem, mas o resultado dividiu opiniões e gerou avaliações medianas no Metacritic, com nota 68, a mais baixa de toda a franquia God of War.
“Um moleque genérico”: a indignação do criador de Kratos
No vídeo, Jaffe não escondeu sua frustração. “Joguei por cerca de uma hora e nunca mais vou jogar novamente”, disse. Segundo o desenvolvedor, o jogo tem problemas de ritmo e exagera nos diálogos. “Parecia que eles paravam a cena o tempo todo para fazer os personagens falarem sem parar. A dublagem não é muito boa.”
O criador afirmou ainda que o novo Kratos “não é o mesmo personagem que construiu uma franquia bilionária”. Na visão dele, o protagonista de Sons of Sparta foi reduzido a “um moleque genérico”, sem a intensidade que definia os jogos clássicos do PlayStation 2 e 3.
Um sintoma da indústria de games moderna
As críticas de David Jaffe refletem uma tendência recente: veteranos da indústria expressando insatisfação com a direção que as grandes desenvolvedoras têm tomado. Jaffe se soma a nomes como John Garvin (criador de Days Gone), Pete Hines (ex-Bethesda) e Shawn Layden (ex-CEO da Sony Interactive Entertainment), que têm usado as redes sociais e entrevistas para denunciar o que chamam de “descaracterização criativa” em busca de lucros rápidos.

O desenvolvedor critica especialmente a tentativa de tornar produtos profundos em experiências mais acessíveis visualmente, mas rasas em conteúdo. Ele comparou o novo jogo a uma hipotética adaptação de John Wick onde o personagem passa o tempo “apenas conversando em uma cafeteria”.
“A jogabilidade funciona. Mas o problema é o projeto em si. A única coisa ofensiva é o seu caráter genérico. É o tipo de coisa que faz você se perguntar o que aconteceu com a ousadia criativa.”
David Jaffe
A recepção do público e o impacto nas redes
Enquanto parte dos fãs defende a proposta de um spin-off em 2D, outros compartilham a visão de Jaffe. Nas redes sociais, o nome “Sons of Sparta” rapidamente se tornou trending topic, com jogadores criticando a mudança de gênero e o tom da narrativa. No Twitter, discussões acaloradas apontam que o jogo peca ao tentar revisitar as origens de Kratos sem a brutalidade e emoção que marcaram sua trajetória.
Sons of Sparta: um metroidvania com potencial desperdiçado
Apesar das críticas, a jogabilidade de Sons of Sparta tem sido elogiada por parte do público por sua fluidez e combates bem estruturados. O problema, segundo Jaffe e muitos analistas, está na falta de coerência entre o design e a identidade narrativa da franquia. O título parece não decidir se quer ser uma homenagem nostálgica ou uma reinvenção estilizada. O resultado é um jogo visualmente atraente, mas emocionalmente vazio.
A proposta de transformar o universo de God of War num metroidvania era ousada. No entanto, sem a direção criativa de Jaffe e Cory Barlog, a Santa Monica Studio parece ter perdido parte da sua essência.
Sony e Santa Monica se pronunciam?
Até o momento, Sony e Santa Monica Studio não emitiram respostas oficiais às declarações de David Jaffe. A empresa continua promovendo o título nas redes oficiais, mas sem abordar diretamente as críticas. Internamente, especula-se que o estúdio esteja analisando a reação do público e a performance comercial do jogo antes de se posicionar.
O legado de Jaffe e o futuro da franquia
David Jaffe deixou a Sony há quase duas décadas, mas seu nome ainda está fortemente ligado à identidade de Kratos. Seu impacto na franquia é inegável. A crítica a Sons of Sparta não apenas reflete sua frustração pessoal com as mudanças, mas também reacende o debate sobre a autenticidade artística nos jogos AAA. Em tempos de grandes orçamentos e pressões mercadológicas, o questionamento de Jaffe ecoa entre jogadores que buscam experiências mais profundas e autorais.
Perguntas frequentes sobre God of War: Sons of Sparta
Quem é David Jaffe e qual sua relação com God of War?
David Jaffe é o criador original da franquia God of War e foi responsável pela concepção do personagem Kratos e dos dois primeiros jogos da série lançados no PlayStation 2.
Por que David Jaffe criticou God of War: Sons of Sparta?
O desenvolvedor considerou o novo título genérico e sem a essência que tornou a franquia famosa. Ele também criticou as escolhas de design e a narrativa do jogo.
Como o público reagiu a Sons of Sparta?
A comunidade de jogadores ficou dividida. Uma parte aprecia a inovação em formato metroidvania, enquanto muitos concordam com Jaffe que o jogo perdeu sua identidade original.
Considerações finais
As declarações de David Jaffe reacendem um debate fundamental na indústria dos games: até que ponto as franquias podem evoluir sem perder sua alma? God of War: Sons of Sparta tentou inovar, mas, para muitos, sacrificou o que tornava Kratos um ícone. Ainda assim, o jogo representa um interessante teste de como o público reage quando grandes marcas decidem experimentar novas fórmulas.

