
Demissões por IA atingem Monday.com e big techs
As demissões por IA ganharam novo capítulo em julho de 2026: a Monday.com anunciou corte de cerca de 20% da equipe, pouco mais de 600 funcionários, em uma reestruturação ligada à sua estratégia de crescimento com inteligência artificial. A empresa de software de gestão de trabalho, sediada em Tel Aviv, informou o plano em documento enviado à SEC, regulador do mercado dos Estados Unidos. Segundo a TechCrunch, a decisão ocorre em meio a uma onda de cortes em grandes empresas de tecnologia que citam automação, eficiência operacional e investimentos em IA como fatores para reduzir ou reorganizar equipes.
Em 2026, quase 140 mil vagas foram cortadas por empresas de tecnologia nos EUA, segundo análise do Financial Times citada pela TechCrunch.
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O que a Monday.com disse sobre os cortes
No comunicado regulatório, a Monday.com afirmou que o corte faz parte de um “plano de reestruturação” associado à transformação de produto, marketing e estratégia comercial. A companhia fala em um modelo operacional “mais enxuto e focado” e em continuidade dos investimentos em sua estratégia orientada por IA.
O cofundador Eran Zinman, porém, tentou afastar a leitura de substituição direta de pessoas por máquinas. Em memorando publicado no LinkedIn, ele disse que a decisão “não foi tomada para reduzir custos ou substituir pessoas por IA”, mas para adaptar a organização a uma visão “AI-first” apresentada cerca de um ano antes.
“A decisão não foi tomada para reduzir custos ou substituir pessoas por IA.”
Eran Zinman, cofundador da Monday.com, em memorando no LinkedIn
A empresa estima encargos líquidos de reestruturação entre US$ 45 milhões e US$ 55 milhões. Mesmo assim, projeta crescimento de receita de até 20% em 2026, sinalizando que as demissões por IA não refletem necessariamente queda imediata de faturamento.
Big techs cortam vagas enquanto investem em IA
A tendência vai além da Monday.com. Amazon, Oracle, Meta e Microsoft respondem por quase 50 mil dos cortes feitos no setor de tecnologia dos EUA desde o início do ano, conforme análise do Financial Times. Ao mesmo tempo, essas companhias direcionam centenas de bilhões de dólares para data centers, infraestrutura de nuvem, chips, agentes de IA e novos produtos baseados em automação.
Esse contraste é central para entender as demissões por IA: muitas empresas não estão apenas encolhendo. Elas estão trocando perfis, reduzindo camadas administrativas, achatando hierarquias e deslocando orçamento para áreas consideradas estratégicas, como engenharia de IA, segurança, nuvem híbrida, automação de atendimento e plataformas para agentes inteligentes.
| Empresa | Cortes citados | Fator ligado à IA |
| Monday.com | 600+ vagas | Estratégia AI-first e operação enxuta |
| Oracle | 21 mil em 12 meses | Adoção de IA em operações internas |
| Meta | 8 mil vagas | Realocação de 7 mil pessoas para IA |
| Amazon | 16 mil corporativas | Menos burocracia e uso de IA generativa |
| GitLab | 350 vagas | Infraestrutura para cargas de trabalho agentic |
Empresas citadas na onda de demissões por IA
A lista reunida pela TechCrunch inclui nomes de várias áreas: software corporativo, computação em nuvem, redes, cripto, pagamentos, hardware, redes sociais e automóveis. Entre elas aparecem Microsoft, Oracle, GitLab, Google, Intuit, Meta, Cisco, Cloudflare, General Motors, Coinbase, PayPal, Snap, IBM, Atlassian, Dell, Block, Salesforce e Amazon.
- Microsoft: cortou cerca de 4.800 funções em julho, inclusive na unidade Xbox, e reconheceu que a IA muda a forma como o trabalho é feito.
- Oracle: informou que a adoção de tecnologias de IA resultou, e pode continuar resultando, em reduções de força de trabalho.
- Cloudflare: eliminou cerca de 1.100 vagas mesmo após registrar receita trimestral recorde.
- Coinbase: falou em “times de uma pessoa” combinando engenharia, design e produto com apoio de IA.
- Salesforce: disse que agentes de IA reduziram a necessidade de recompor funções de suporte.
O mercado acredita nessa explicação. Que não seja demissões por IA?
Nem sempre. O Financial Times apontou que companhias que citam IA como fator para cortes tiveram desempenho quase 10% inferior ao Nasdaq nos 30 pregões posteriores aos anúncios. O dado sugere que investidores podem desconfiar quando a narrativa de eficiência com IA vem acompanhada de custos elevados de reestruturação, pressão sobre margens ou incerteza sobre execução.
Em outras palavras, dizer que a inteligência artificial justifica cortes não garante reação positiva. Para o mercado, a pergunta é se a empresa conseguirá transformar automação em produtividade real, novos produtos, receita recorrente e vantagem competitiva sustentável.
Nem todo emprego em tecnologia está desaparecendo
Apesar do cenário duro, a leitura não é apenas negativa. Empresas focadas em IA, como OpenAI e Anthropic, seguem contratando rapidamente e absorvem parte dos talentos dispensados por companhias tradicionais. Dentro das próprias big techs, também há substituição de funções antigas por cargos ligados a modelos generativos, agentes autônomos, infraestrutura de data center, governança de IA e segurança.
A Meta, por exemplo, teria movido cerca de 7 mil funcionários para funções focadas em IA enquanto demitia outros 8 mil. A IBM afirma que pretende triplicar contratações de entrada nos EUA para funções de IA e nuvem híbrida, mesmo após cortes em áreas como recursos humanos e Red Hat.
Tweet de Jack Dorsey reforça a mudança estrutural
Na Block, empresa de Jack Dorsey, os cortes foram descritos como parte de uma nova forma de operar com equipes menores, mais planas e apoiadas por ferramentas inteligentes. Como há um link público para a publicação no X, a incorporação abaixo pode ser usada para contextualizar a fala original.
O que isso significa para trabalhadores de tecnologia
As demissões por IA indicam uma transição de competências. Funções repetitivas, camadas intermediárias de gestão e tarefas operacionais padronizadas ficam mais vulneráveis. Já áreas de arquitetura de sistemas, integração de modelos, segurança, dados, produto, compliance e avaliação de riscos tendem a ganhar relevância.
- Aprender a usar IA generativa em fluxos reais de trabalho.
- Desenvolver visão de produto, dados e automação.
- Fortalecer habilidades humanas: comunicação, julgamento e liderança.
- Buscar conhecimento em segurança, governança e qualidade de modelos.
Perguntas Frequentes sobre demissões por IA
O que são demissões por IA?
São cortes de vagas associados à automação, uso de IA generativa ou reestruturações para equipes mais enxutas. Nem sempre significam substituição direta por máquinas.
A Monday.com demitiu funcionários por causa da IA?
A empresa ligou a reestruturação à sua estratégia de crescimento com IA, mas disse que não cortou vagas para substituir pessoas diretamente por inteligência artificial.
Quais big techs citaram IA em cortes de 2026?
A lista inclui Amazon, Oracle, Meta, Microsoft, GitLab, Cisco, Cloudflare, Coinbase, Salesforce, IBM, Dell, Atlassian e outras empresas.
Empregos em tecnologia vão acabar com a IA?
Não. O mercado está mudando: algumas funções desaparecem, enquanto crescem vagas em IA, nuvem, segurança, dados, automação e governança.
Considerações finais
A onda de demissões por IA mostra que a inteligência artificial deixou de ser apenas aposta de produto e passou a redefinir estruturas internas das empresas. O caso Monday.com se soma a uma sequência de cortes em big techs, mas também evidencia uma reorganização mais ampla: menos funções repetitivas, mais investimento em automação e maior demanda por talentos capazes de trabalhar com sistemas inteligentes.
