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Ray Gunn: nova animação da Netflix impressiona, mas recebe críticas

Ray Gunn, nova animação de Brad Bird para a Netflix, promete uma mistura ambiciosa de ficção científica, investigação policial e estética retrofuturista. Após sua apresentação no Festival de Cinema de Londres de 2026, o longa começou a receber suas primeiras avaliações, com destaque para sua direção artística e para a maneira como recupera elementos clássicos do cinema noir.

Com estreia marcada para 18 de dezembro de 2026, Ray Gunn representa o retorno do diretor de Os Incríveis, Ratatouille e O Gigante de Ferro aos longas de animação. O filme também concretiza uma ideia que Bird desenvolve há mais de três décadas.

A proposta é interessante: transportar o espectador para uma metrópole futurista onde humanos e alienígenas dividem espaço, enquanto um detetive particular investiga crimes e conspirações envolvendo uma das maiores celebridades da cidade.

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O resultado é uma produção que chama atenção pela criatividade visual e pela ambientação, embora algumas avaliações apontem limitações no desenvolvimento de seus temas mais complexos.

Qual é a história de Ray Gunn?

A trama de Ray Gunn acontece em Metropia, uma cidade retrofuturista que combina a arquitetura art déco dos anos 1930 com tecnologias avançadas, carros voadores e uma sociedade habitada por humanos e extraterrestres.

Nosso protagonista é Raymond Gunn, um ex-policial que agora trabalha como detetive particular. Interpretado originalmente por Sam Rockwell, Ray enfrenta dificuldades financeiras e tenta manter seu escritório funcionando em meio à corrupção e ao crescimento de novas tecnologias de vigilância.

Seu principal parceiro é Olhívio, um alienígena ciclope dublado por Tom Waits. Juntos, os dois investigam casos em uma cidade onde o crime organizado e os interesses corporativos frequentemente se misturam.

Tudo muda quando Ray recebe a missão de investigar Venus Nova, uma cantora extremamente famosa interpretada por Scarlett Johansson.

O que começa como um trabalho aparentemente simples rapidamente se transforma em uma investigação envolvendo assassinatos, segredos e uma conspiração capaz de afetar toda Metropia.

A história recupera elementos dos clássicos policiais de Hollywood, especialmente aqueles protagonizados por detetives durões que enfrentam criminosos poderosos e personagens moralmente ambíguos.

O visual retrofuturista é o grande destaque de Ray Gunn

Um dos aspectos mais interessantes de Ray Gunn é sua identidade visual. Brad Bird utiliza sua experiência com animação e cenas de ação para construir um universo que parece combinar Blade Runner com os tradicionais filmes policiais da primeira metade do século XX.

A cidade de Metropia é parte fundamental dessa proposta. Seus arranha-céus, veículos futuristas, ruas iluminadas por néon e construções art déco criam uma atmosfera que mistura elegância e decadência.

Também chama atenção a variedade de personagens alienígenas, que apresentam formas exageradas e características visuais próprias. Essa diversidade ajuda a transformar o cenário em um universo com personalidade, fugindo de ambientes genéricos frequentemente encontrados em produções de ficção científica.

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A Skydance Animation aposta em cenários detalhados, iluminação cinematográfica e sequências de ação que aproveitam as possibilidades da animação digital.

A trilha sonora de Michael Giacchino complementa a ambientação, trazendo elementos que remetem ao jazz e às produções policiais clássicas.

Apesar da qualidade geral, algumas críticas observaram pequenas inconsistências na animação de personagens secundários e multidões. São detalhes que não parecem comprometer a proposta visual, mas demonstram que o acabamento não é uniforme em todas as sequências.

Ray Gunn combina investigação policial com uma aventura acessível

A principal proposta de Ray Gunn não é apenas apresentar um mundo futurista, mas recuperar um gênero que raramente recebe produções de animação de grande orçamento.

O cinema noir costuma apresentar protagonistas imperfeitos, ambientes dominados pela corrupção e investigações que revelam problemas muito maiores do que o caso inicial.

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Aqui, Brad Bird adapta esses elementos para uma aventura que também procura conquistar espectadores menos familiarizados com o gênero.

O resultado parece ser um equilíbrio entre mistério, humor, ação e referências cinematográficas.

Essa abordagem combina com a trajetória do diretor, que frequentemente utiliza histórias acessíveis para explorar personagens em conflito com as regras da sociedade.

Em Os Incríveis, por exemplo, os protagonistas precisam esconder suas habilidades em um mundo que não aceita suas diferenças. Já em O Gigante de Ferro, encontramos uma história sobre identidade, preconceito e liberdade de escolha.

Em Ray Gunn, essas preocupações aparecem novamente, agora dentro de uma sociedade futurista marcada por desigualdade, tecnologia e influência corporativa.

Temas sociais e preconceito poderiam receber maior desenvolvimento

Embora Ray Gunn apresente uma ambientação que permite discutir questões sociais, nem todos esses elementos parecem receber o mesmo espaço na narrativa.

Na análise publicada pelo What’s on Netflix, o crítico Rendy Jones considera que a produção introduz assuntos como xenofobia, desigualdade entre humanos e alienígenas e exploração artística, mas evita desenvolver completamente seus conflitos.

A crítica aponta especialmente para a maneira como os extraterrestres são tratados como cidadãos de segunda classe em Metropia. Apesar de essa divisão fazer parte da construção do universo, suas consequências acabam ficando em segundo plano diante da investigação principal.

Outro aspecto mencionado é a influência das grandes corporações sobre os artistas e a indústria do entretenimento, especialmente na trajetória de Venus Nova.

Para Jones, o roteiro de Brad Bird e Matthew Robbins poderia assumir riscos maiores ao abordar esses assuntos, em vez de priorizar uma narrativa mais acessível ao público familiar.

É uma ressalva relevante, considerando que o universo apresentado abre possibilidades para discussões mais profundas. Por outro lado, uma abordagem menos pesada também permite que o filme funcione como introdução ao cinema noir para espectadores mais jovens.

A questão, portanto, não está necessariamente na ausência de temas adultos, mas no espaço que eles recebem dentro da história.

Um projeto que Brad Bird tentou realizar por mais de 30 anos

A produção de Ray Gunn possui uma história quase tão interessante quanto sua premissa.

Brad Bird começou a desenvolver o conceito ainda no início de sua carreira, antes mesmo de dirigir O Gigante de Ferro, lançado em 1999.

Na época, o cineasta imaginava uma aventura que combinasse os filmes policiais de Humphrey Bogart com histórias clássicas de ficção científica.

A ideia permaneceu durante décadas em desenvolvimento, enquanto Bird trabalhou em produções como Os Incríveis, Ratatouille e Missão: Impossível – Protocolo Fantasma.

Agora, com o apoio da Netflix e da Skydance Animation, o diretor finalmente conseguiu transformar o projeto em um longa-metragem.

Essa longa trajetória ajuda a explicar a quantidade de referências cinematográficas presentes na produção e a atenção dedicada à construção do universo.

Também reforça o interesse de Bird em explorar possibilidades narrativas que vão além das fórmulas tradicionalmente associadas aos filmes de animação.

Quando Ray Gunn estreia na Netflix?

Ray Gunn chega ao catálogo da Netflix em 18 de dezembro de 2026, após uma passagem limitada pelos cinemas em determinados mercados.

O elenco original reúne Sam Rockwell como Raymond Gunn, Scarlett Johansson como Venus Nova e Tom Waits como Olhívio. Também participam Bobby Cannavale, Alan Tudyk, Matt Berry e Michelle Rodriguez.

Com quase duas horas de duração, a produção aposta em uma aventura de investigação com visual cinematográfico e referências a diferentes períodos da história de Hollywood.

A combinação entre direção de Brad Bird, animação retrofuturista e mistério policial faz de Ray Gunn uma das estreias mais interessantes da Netflix no fim de 2026.

Mesmo com ressalvas sobre a profundidade de determinados assuntos, a recepção inicial destaca o cuidado artístico, a criatividade e a proposta de apresentar o cinema noir a uma nova geração.

Resta descobrir como essa mistura será recebida pelo público quando o filme finalmente chegar ao streaming.

Gabriela Santos

Viciada em duas telas: a do cinema e a do meu setup. Filmes, gadgets e tudo que há de bom no meio.