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Rio 3.5 Open: IA da prefeitura vira polêmica

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O Rio 3.5 Open, modelo de inteligência artificial anunciado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, entrou em crise poucas horas após ser publicado no Hugging Face. Lançado pelo IplanRio em 12 de junho de 2026, o projeto prometia uma IA pública, aberta e com 397 bilhões de parâmetros. A controvérsia começou quando pesquisadores e usuários apontaram que o sistema parecia ser um merge de modelos já existentes, principalmente Nex e Qwen, sem os créditos esperados na divulgação inicial.

O que é o Rio 3.5 Open?

O Rio 3.5 Open faz parte da família Rio Open, iniciativa da empresa municipal de informática IplanRio para criar modelos de linguagem de grande porte voltados ao uso público. A proposta era reduzir a dependência de plataformas privadas, estimular pesquisa acadêmica e oferecer uma alternativa de inteligência artificial generativa para órgãos públicos.

Segundo a divulgação inicial, o modelo teria licença MIT, uma licença permissiva que permite uso, cópia, modificação e distribuição, inclusive em projetos comerciais. O custo total informado para o desenvolvimento foi de R$ 500 mil. A prefeitura também vinculou a iniciativa ao debate de soberania tecnológica, tema cada vez mais presente em governos que buscam controlar dados, infraestrutura e soluções digitais estratégicas.

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Por que a IA da prefeitura foi criticada?

A crítica central ao Rio 3.5 Open não está no uso de modelos abertos, prática comum no ecossistema de IA. O problema apontado por especialistas foi a falta de transparência sobre a origem técnica do modelo. Ao removerem instruções internas, conhecidas como system prompts, usuários relataram que a IA deixava de se identificar como Rio e passava a responder como Nex, da Nex-AGI.

Também chamou atenção o desempenho divulgado em benchmarks, como o IMOAnswerBench. O modelo teria superado sistemas de referência, incluindo o Qwen, da Alibaba, usado como uma das bases. Para a comunidade técnica, resultados tão altos exigiriam documentação robusta sobre treinamento, dados, avaliação e metodologia. A ausência desses detalhes aumentou a desconfiança.

Ponto analisadoDivulgação inicialQuestionamento técnico
Origem do modeloFamília Rio OpenPossível combinação de Nex e Qwen
Método usadoDestilação de IAIndícios de merge matemático simples
LicençaMIT e uso públicoLicença permite reuso, mas créditos são essenciais
BenchmarkResultados acima de rivaisFaltaram dados de validação independentes

Merge, destilação e o ponto técnico da polêmica

Para entender a polêmica do Rio 3.5 Open, é importante separar dois conceitos. Um merge combina pesos de modelos diferentes por operações matemáticas. Já a destilação envolve fazer um modelo aprender padrões de resposta de outro sistema, normalmente mais forte, por meio de treinamento adicional e exemplos gerados.

Investigações feitas por usuários da comunidade indicaram que o arquivo publicado teria colinearidade de 0,99 com uma combinação fixa de 60% Nex e 40% Qwen em camadas analisadas. Em linguagem simples, isso sugere uma mistura quase direta dos modelos, não um sistema treinado de forma substancial depois do merge. Esse ponto é sensível porque a prefeitura havia descrito a etapa como On-Policy Distillation.

O que é On-Policy Distillation?

É uma técnica em que um modelo aprende a imitar respostas geradas em interação com outro modelo. Se aplicada, ela deve deixar evidências de treinamento, metodologia e avaliação.

A licença MIT permite reutilização ampla de software, desde que o aviso de copyright e a permissão sejam preservados.

Resumo baseado nos termos da licença MIT, reconhecida pela Open Source Initiative

IplanRio atualiza página no Hugging Face do Rio 3.5 Open

Após a repercussão, a página do Rio 3.5 Open no Hugging Face foi atualizada. A nova descrição passou a admitir que havia um merge feito por operações matemáticas simples e afirmou que o arquivo publicado seria uma versão intermediária, anterior à destilação. O IplanRio também pediu desculpas pela confusão.

Página do Rio 3.5 Open no Hugging Face após atualização do IplanRio
Descrição no Hugging Face passou a contextualizar o merge e a suposta etapa de destilação.

A justificativa, porém, não encerrou o debate. Até o momento, pelas informações disponíveis publicamente, não é possível confirmar se a etapa de destilação foi concluída, se houve upload do arquivo errado ou se o modelo final ainda não foi disponibilizado. Para pesquisadores, a resposta adequada exigiria logs, documentação técnica, scripts, pesos corretos e relatório de avaliação.

O que o caso revela sobre IA aberta no governo?

O episódio do Rio 3.5 Open mostra que IA aberta não significa apenas publicar arquivos. Projetos públicos precisam de rastreabilidade, créditos claros, documentação verificável e governança técnica. Quando um órgão governamental apresenta um modelo como inovação própria, a comunicação deve explicar com precisão o que foi criado, adaptado, treinado ou apenas combinado.

  1. Informar quais modelos de base foram usados, como Nex-N2-Pro e Qwen.
  2. Publicar metodologia de merge, treinamento, destilação e benchmarks.
  3. Preservar créditos e licenças de projetos open source reutilizados.
  4. Separar marketing institucional de validação científica independente.

A iniciativa também reacende uma discussão maior: governos podem e devem experimentar IA generativa, mas precisam seguir padrões de auditoria compatíveis com o impacto público dessas ferramentas. Em áreas como atendimento ao cidadão, educação, saúde ou análise de documentos, modelos de linguagem exigem controle de qualidade, segurança e explicabilidade.

Considerações finais

O Rio 3.5 Open nasceu com uma promessa ambiciosa: entregar uma IA pública, aberta e competitiva. A rápida análise da comunidade, porém, transformou o lançamento em um caso de estudo sobre transparência em inteligência artificial. Usar Nex, Qwen ou outros modelos abertos não é errado; o problema aparece quando origem, créditos, treinamento e resultados não são explicados de forma clara. A próxima resposta do IplanRio será decisiva para recuperar confiança e esclarecer se há, de fato, uma versão final destilada do modelo.

  1. O que é o Rio 3.5 Open?

    É um modelo de IA anunciado pela Prefeitura do Rio. A proposta era oferecer uma solução aberta para governo e pesquisa, mas a origem técnica foi contestada.

  2. Por que o Rio 3.5 Open foi acusado de cópia?

    Porque análises indicaram forte semelhança com Nex e Qwen. O ponto crítico foi a falta inicial de créditos claros e de documentação técnica suficiente.

  3. Usar modelos abertos como Qwen é proibido?

    Não. Licenças abertas permitem reuso e modificação. Ainda assim, créditos, avisos de licença e transparência metodológica devem ser preservados.

  4. Qual a diferença entre merge e destilação de IA?

    Merge mistura pesos de modelos por matemática. Destilação exige treinamento para imitar outro sistema, com dados, método e avaliação documentados.

  5. A prefeitura confirmou erro no Hugging Face?

    O IplanRio atualizou a página, pediu desculpas e disse que uma versão intermediária teria sido enviada. A conclusão da destilação ainda não está comprovada publicamente.

Diogo Fernando

Apaixonado por tecnologia e cultura pop, programo para resolver problemas e transformar vidas. Empreendedor e geek, busco novas ideias e desafios. Acredito na tecnologia como superpoder do século XXI.