DuckDuckGo aposta em busca sem IA e cresce após mudanças no Google
O DuckDuckGo anunciou novas extensões para navegadores Chrome e Firefox que permitem definir sua experiência de pesquisa sem recursos de inteligência artificial como padrão. A novidade chega em um momento de forte crescimento da plataforma, impulsionado pela reação de parte dos usuários às recentes mudanças promovidas pelo Google em seu mecanismo de busca.
Segundo a empresa, as extensões direcionam automaticamente os usuários para a página noai.duckduckgo.com, uma versão da busca que elimina respostas geradas por IA, remove convites para conversas com chatbots e reduz a exibição de imagens produzidas por inteligência artificial nos resultados. A iniciativa reforça uma estratégia que ganhou força nas últimas semanas, à medida que cresce o debate sobre o papel da IA nas pesquisas online.
O que mudou no DuckDuckGo
As novas extensões foram criadas para facilitar o acesso contínuo à experiência sem IA. Depois de instaladas, elas garantem que o usuário utilize automaticamente a página de pesquisa livre de respostas geradas por inteligência artificial. Atualmente, os complementos estão disponíveis para Google Chrome e Mozilla Firefox.
Usuários que já utilizam o navegador próprio do DuckDuckGo também contam com uma vantagem adicional. De acordo com a empresa, as configurações relacionadas à IA permanecem preservadas mesmo quando o histórico de navegação é apagado.
O objetivo é oferecer consistência para quem prefere resultados tradicionais de busca, baseados principalmente em links para páginas da web, sem interferência de respostas sintetizadas por modelos de IA.
Crescimento acelerado após mudanças no Google
A movimentação ocorre pouco tempo depois de o Google apresentar uma das maiores transformações de sua história. Durante sua conferência para desenvolvedores realizada em maio de 2026, a companhia revelou uma estratégia centrada em inteligência artificial.
Na prática, o Google passou a destacar ainda mais os chamados AI Overviews, resumos produzidos por IA que aparecem antes dos links tradicionais. Além disso, a empresa vem expandindo recursos interativos capazes de gerar gráficos, visualizações, análises e até pequenas aplicações dentro da própria página de resultados.
Para muitos usuários, essas novidades representam um avanço importante em produtividade e rapidez. No entanto, outra parcela do público demonstra preocupação com a redução da visibilidade dos links tradicionais e com a crescente presença de conteúdo gerado automaticamente.
É justamente nesse cenário que o DuckDuckGo encontrou uma oportunidade para se diferenciar.
Tráfego dispara com procura por alternativas
Dados divulgados pela própria empresa indicam que o interesse pela página de busca sem IA aumentou significativamente após o anúncio do Google.
Na semana anterior ao lançamento das extensões, as visitas à página no-AI registraram crescimento próximo de 30% em comparação com a semana anterior. Os aplicativos da empresa também apresentaram avanço expressivo. Nos Estados Unidos, as instalações aumentaram 18,1% em uma semana, enquanto os downloads do aplicativo para iOS chegaram a atingir crescimento de 69,9% em determinados períodos.
Outro dado destacado pela companhia aponta que, em 28 de maio de 2026, o tráfego para a página sem IA atingiu o maior nível já registrado desde a apresentação das mudanças no Google. O volume chegou a triplicar em relação aos níveis considerados normais.
Mais importante do que o pico momentâneo, segundo a empresa, é o fato de que o crescimento vem se mantendo de forma consistente. As visitas permanecem aproximadamente 84% acima da linha de base histórica, sugerindo uma mudança de comportamento mais duradoura.

Por que alguns usuários rejeitam a busca com IA?
A adoção massiva de inteligência artificial nos mecanismos de busca vem provocando debates em diferentes segmentos da internet. Entre os principais argumentos dos críticos estão a possibilidade de erros factuais, a falta de transparência sobre as fontes utilizadas e a redução do tráfego direcionado para sites independentes.
Outro ponto frequentemente citado é a preferência por pesquisas tradicionais. Muitos usuários afirmam que desejam analisar diversas fontes por conta própria, em vez de receber uma resposta única produzida por um sistema automatizado.
Também existe preocupação com a presença crescente de imagens e conteúdos gerados por IA, que podem dificultar a identificação de material original.
Nesse contexto, ferramentas que oferecem maior controle sobre a experiência de busca acabam ganhando relevância.
DuckDuckGo não é uma empresa anti-IA
Apesar da forte divulgação da experiência sem inteligência artificial, o DuckDuckGo faz questão de esclarecer que não é uma companhia contrária à tecnologia.
A empresa mantém sua própria solução de chatbot baseada em IA e oferece acesso a diferentes modelos populares do mercado. Além disso, possui planos de assinatura que incluem recursos avançados de inteligência artificial, serviços de VPN, proteção contra roubo de identidade e ferramentas para remoção de informações pessoais da internet.
Ou seja, a estratégia atual não consiste em rejeitar a IA completamente, mas em permitir que os usuários escolham quando desejam utilizá-la.
Essa abordagem se diferencia de algumas plataformas que passaram a integrar recursos de inteligência artificial de maneira obrigatória ou com poucas opções de personalização.
O futuro da busca online
O crescimento do DuckDuckGo evidencia uma tendência importante: embora a inteligência artificial esteja transformando rapidamente a forma como as pessoas pesquisam informações na internet, ainda existe demanda por experiências mais tradicionais.
Especialistas acreditam que o mercado pode caminhar para um cenário híbrido, no qual diferentes perfis de usuários escolham modelos de pesquisa distintos. Enquanto alguns preferirão respostas instantâneas geradas por IA, outros continuarão valorizando listas de links, comparação de fontes e maior controle sobre o processo de descoberta de informações.
Além do DuckDuckGo, outros mecanismos alternativos como Kagi também vêm sendo citados como opções para usuários que desejam explorar alternativas ao domínio do Google.
A disputa entre esses modelos deve se intensificar nos próximos anos, especialmente à medida que empresas de tecnologia buscam equilibrar inovação, transparência e confiança dos usuários.
Impacto para criadores de conteúdo e sites
As mudanças promovidas pelos grandes buscadores também têm implicações diretas para produtores de conteúdo, veículos de imprensa e empresas que dependem do tráfego orgânico.
Quando respostas completas são exibidas diretamente na página de pesquisa, existe o risco de redução nos cliques para sites externos. Esse fenômeno tem sido acompanhado de perto por editoras, especialistas em SEO e criadores independentes.
Por outro lado, plataformas que continuam priorizando links tradicionais podem se tornar importantes fontes de tráfego para quem produz conteúdo original e aprofundado.
O crescimento recente do DuckDuckGo sugere que ainda existe espaço para modelos alternativos capazes de atender usuários que valorizam uma navegação mais próxima da experiência clássica da web.
FAQ
O que é a busca sem IA do DuckDuckGo?
É uma versão do mecanismo de pesquisa que remove respostas geradas por inteligência artificial, chats e reduz conteúdos criados por IA nos resultados.
As extensões estão disponíveis para quais navegadores?
No lançamento, as extensões podem ser instaladas no Google Chrome e no Mozilla Firefox.
O DuckDuckGo é contra inteligência artificial?
Não. A empresa oferece chatbot próprio, acesso a modelos de IA e serviços premium relacionados à tecnologia.
Por que o tráfego do DuckDuckGo está crescendo?
Muitos usuários estão buscando alternativas após as mudanças do Google, que passou a destacar recursos de pesquisa baseados em inteligência artificial.
Existem vídeos ou publicações incorporáveis nesta notícia?
Não. O material analisado não apresenta vídeos do YouTube, publicações do X/Twitter, Instagram ou outras mídias sociais incorporadas relacionadas diretamente à notícia. Por isso, nenhuma incorporação foi incluída neste artigo.
Fonte original: Reportagem de Sarah Perez publicada pelo TechCrunch em 1º de junho de 2026. Texto adaptado, traduzido e contextualizado para o público brasileiro.

